Terceiro ano consecutivo de alta no ritmo de destruição da floresta não está descartado. Para MMA, índice só começará a cair ano que vem

A taxa de desflorestamento da Amazônia entre agosto de 2015 e julho de 2016, a ser divulgada em novembro, deve ficar em patamar ainda alto, próximo dos 6,2 mil quilômetros quadrados registrados entre 2014 e 2015. A avaliação é da diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente (MMA), Telma Krug. “Ainda não vimos os dados de 2016, mas já estou antecipando que não serão dados muito melhores do que tivemos para 2015”, disse. “Acho que 2015 foi difícil e 2016 mais difícil ainda”, avalia. Ela explica que é impossível prever se o novo índice será maior que o anterior.

A previsão de Krug não exclui a possibilidade de que tenhamos o 3º ano consecutivo de subida nas taxas. O número de 2014-2015 representou um acréscimo de 24% em relação a 2013-2014, quando já tinham sido derrubados 5 mil quilômetros quadrados (veja gráfico abaixo). Em todo caso, a manutenção do nível atual de destruição da floresta coloca na berlinda a capacidade do Brasil de cumprir seu compromisso, formalizado na lei e no tratado internacional de clima, de reduzir o desmatamento na Amazônia à marca de 3,9 mil quilômetros quadrados, em 2020, e de zerar as derrubadas ilegais até 2030.

“Estamos há quatro anos no patamar de 5 mil quilômetros quadrados. Precisamos tomar uma providência ou vamos continuar patinando nesse patamar até 2020 e não vamos alcançar nossas metas”, alertou Dalton de Morisson Valeriano, coordenador da equipe do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) que produz a taxa anual oficial do desmatamento amazônico.

“Estou um pouco assustado com os diagnósticos que nós recebemos, mas continuo acreditando que nós temos, sim, como cumprir os nossos compromissos”, afirmou o ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho. Ele garantiu que não faltarão recursos para o combate ao desmatamento, apesar do corte de gastos no governo federal.

Desmatamento na Amazônia. Clique para ampliar. Fonte. Programa de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite (Prodes) – Inpe

Os três falaram no seminário realizado pelo MMA para discutir o assunto, na semana passada, em Brasília. No evento, pesquisadores e ambientalistas compartilharam o entendimento de que a alta nas taxas, depois de um longo período de queda, resulta da fragilização do Código Florestal, da redução de Unidades de Conservação (UCs) e dos investimentos em grandes obras – iniciativas patrocinadas pelo governo Dilma nos últimos cinco anos e meio. Essas ações teriam dado uma sinalização de estímulo aos desmatadores.

Em entrevista ao ISA, Krug concordou parcialmente com essa avaliação. Ela acrescentou que a instabilidade política, um ano mais seco, com mais incêndios florestais, e a redução na fiscalização, provocada pelos cortes orçamentários, também teriam contribuído para acelerar a destruição da floresta. Krug disse que só a partir do ano que vem, com novos esforços de fiscalização, a situação vai melhorar.

Uma das informações apresentadas no evento foi que, entre 2012 e 2015, as grandes derrubadas, entre 100 hectares e 500 hectares, facilmente identificadas pelos satélites, dobraram sua participação no total da área desflorestada, de 10% para 20%. Isso indica que os desmatadores estão menos preocupados com a vigilância dos órgãos ambientais.

Outro dado inédito apresentado que chamou a atenção foi de que o desmatamento, neste ano, nas Terras Indígenas da Amazônia já seria o triplo do registrado em todo o ano passado (saiba mais).

Flona do Jamanxin

No seminário, também veio a público a proposta do governo federal de reduzir a Floresta Nacional (Flona) do Jamanxim, no sudoeste do Pará, às margens da rodovia BR-163 (Cuiabá-Santarém). Em 2014-2015, a Flona foi a UC federal mais desmatada do país, tendo perdido 9,2 mil hectares de floresta, quase metade de todo o desmatamento em UCs federais (veja gráfico abaixo).

Garimpo ilegal na Floresta Nacional do Jamanxim

A área foi invadida por grileiros e madeireiros ilegais que agora pretendem legalizar posses dentro dela (leia mais). Além disso, está no caminho de um projeto de ferrovia que pretende permitir o escoamento da soja produzida no norte do Mato Grosso. Por esses motivos, a redução da UC é defendida por vários políticos.

João Paulo Capobianco, sócio fundador do ISA e membro do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS), afirmou que o governo cometerá um erro grave se reduzir a Flona. “As pessoas vão voltar a acreditar que a impunidade vai ocorrer, que vale à pena invadir UCs, nem que demore alguns anos, porque lá na frente será possível recuperar a posse de uma área invadida e grilada”, alertou. Ele argumentou que diminuir a área, em meio a uma “crise do desmatamento”, vai sinalizar mais fragilização da fiscalização, colocando em risco todas as UCs amazônicas.

No seminário, representantes do governo federal defenderam que a proposta, na verdade, faz parte de um grande plano de “consolidação territorial” da região, incluindo a expansão e criação de outras UCs, a realocação de invasores para fora de áreas federais e a regularização fundiária de posses legítimas.

O coordenador geral de Proteção Territorial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Luiz Felipe Deluca, garantiu que a ideia ainda está em aberto, mas deixou claro que o governo tem pressa de tirá-la do papel. “Na verdade, essa é uma proposta que está sendo discutida, mas existe um aceno do governo para que ela ocorra com certa emergência”, afirmou. Em entrevista ao ISA, Deluca não soube precisar qual a extensão exata que a Flona pode perder.

Desmatamento nos estados

O seminário discutiu os dados consolidados sobre desmatamento na Amazônia. Eles mostram que Pará, Mato Grosso e Rondônia, nesta ordem, continuam sendo os campeões na destruição da floresta em termos absolutos, entre 2014 e 2015. Em termos relativos, a alta foi maior em Rondônia, com mais de 50% de acréscimo em relação ao período anterior.

Uma análise do Laboratório de Geoprocessamento do ISA reforça que a situação em Rondônia é crítica. De toda a floresta que existia no estado fora de UCs e TIs, restam apenas 35%, o menor índice da Região Norte. Entre 2014 e 2015, a área desmatada desses remanescentes foi de 782 Km2 ou 1,8% do total, o maior percentual entre os estados amazônicos. “Nesse ritmo, em mais uns 30 anos, não vai sobrar nada de floresta fora das áreas protegidas”, alerta Alícia Rolla, responsável pelo levantamento.

“Esse dado é preocupante”, admitiu Vilson Salles Machado, secretário de Meio Ambiente de Rondônia, depois de saber da informação pela reportagem do ISA. Ele negou que o desmatamento no estado esteja fora de controle e culpou a expansão do cultivo de soja e a invasão de Reservas Legais de propriedades privadas pela situação.

No seminário, Machado argumentou que a extinção de UCs estaduais pela Assembleia Legislativa, em 2014, também estimulou o desflorestamento. Ele lembrou que há um projeto de lei tramitando na assembleia para autorizar planos de manejo florestal em áreas privadas não regularizadas e avaliou que, se aprovada, a proposta também deverá acelerar as derrubadas e a grilagem.

Texto de Oswaldo Braga de Souza; infográficos de Victor Pires

ISA

Desmatamento em Terras Indígenas na Amazônia já é o triplo do registrado em 2015

Roubo de madeira e grilagem são os principais causadores do desflorestamento, que já soma quase 20 mil campos de futebol em 2016. Novidade é salto no corte raso nas áreas protegidas

O desmatamento realizado dentro das Terras Indígenas (TIs) da Amazônia, este ano, já é quase o triplo do registrado em todo o ano passado. Entre janeiro e agora, foram desflorestados 188 quilômetros quadrados nessas áreas – o que corresponde a quase 20 mil campos de futebol. Em 2015, esse número foi de 67 quilômetros quadrados.

O dado foi obtido pela Fundação Nacional do Índio (Funai) a partir da análise das mesmas imagens de satélites usadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) para produzir a taxa anual oficial de desmatamento para toda a Amazônia. Portanto, a informação tende a ser confirmada, com pequena margem de erro. Ela foi divulgada, ontem (5/10), em seminário realizado pelo Ministério do Meio Ambiente, em Brasília.

Há 419 TIs na Amazônia, que somam 115.342.101 de hectares ou 1.153.421 quilômetros quadrados, segundo o Programa Monitoramento de Áreas Protegidas do ISA.

O salto do desmatamento nas TIs é indício de uma possível nova alta na taxa para toda a Amazônia, cuja estimativa preliminar, para o período entre agosto de 2015 e julho de 2016, só será divulgada no final do ano. O órgão indigenista resolveu antecipar o levantamento para as TIs para orientar suas operações de fiscalização.

As TIs estão entre as áreas menos desmatadas na região, com uma taxa acumulada de cerca de 2% do total de sua extensão. De acordo com a Funai, o desflorestamento nessas áreas é ainda menor que nas Unidades de Conservação (UCs), como Parques Nacionais. Para os pesquisadores e representantes da sociedade civil que estiveram no evento, a barreira ao avanço da fronteira agrícola representada por TIs e UCs pode estar começando a ruir.

“O desmatamento está gritante no momento”, alertou Tatiana Vilaça, coordenadora geral de Monitoramento Territorial da Funai. De acordo com ela, o corte seletivo de árvores realizado por madeireiros ilegais é até certo ponto comum nas TIs por ser mais difícil de ser identificado pelos satélites. Por isso, o salto tão grande no desflorestamento completo nessas áreas chamou atenção dos técnicos da Funai.

Vilaça ressaltou que os principais vetores do desmatamento vêm de fora das TIs: grilagem, exploração madeireira ilegal e pecuária. Ela chamou a atenção para a situação de Rondônia e Pará e das TIs Cachoeira Seca (PA) e Andirá-Marau (PA/AM). Localizada na área de influência da usina de Belo Monte, Cachoeira Seca foi a TI mais desmatada entre 2012 e 2015, de acordo com o Inpe.

Vilaça denunciou que o Cadastro Ambiental Rural (CAR) está sendo usado para tentar legalizar a grilagem em TIs. Ela informou que já há decisões judiciais de primeira instância que estão usando o recibo do cadastro para tentar comprovar a regularidade de posses de não indígenas nessas áreas. Teoricamente, o documento não tem nenhum valor fundiário. O CAR foi instituído pelo novo Código Florestal e pretende identificar as áreas desmatadas ilegalmente que precisam ser reflorestadas nas propriedades rurais.

Maior aumento da taxa em quatro anos

No seminário, foi apresentada oficialmente a taxa revisada do desmatamento na Amazônia para o período entre 2014 e 2015. Foram destruídos 6.207 quilômetros quadrados de floresta, um acréscimo de 6,45% em relação ao índice preliminar divulgado em novembro, 5.831 quilômetros quadrados. O aumento em relação a 2013-2014 foi de 24%, e não de 16% – o maior em quatro anos e o segundo período sucessivo de acréscimo da taxa.

Especialistas e ambientalistas avaliam que a nova alta no ritmo de destruição da floresta resulta da fragilização do Código Florestal, da redução de UCs e dos investimentos em grandes obras na Amazônia promovidos pelo governo nos últimos cinco anos. Se uma nova tendência de crescimento desse ritmo estiver em curso, estarão em risco nossas metas de redução do desmatamento e das emissões de gases de efeito estufa definidas na legislação e nos tratados internacionais ratificados pelo Brasil (saiba mais).

A coordenadora de Política e Direito do ISA, Adriana Ramos, avaliou que a descontinuidade das ações do Plano de Prevenção e Combate ao Desmatamento é uma das responsáveis pelo novo salto no desflorestamento. “A sinalização que temos dado como sociedade para a importância das TIs é péssima. Os direitos indígenas estão cada vez mais fragilizados diante de outros interesses. É quase natural que isso venha a se refletir no desrespeito dos próprios limites dessas áreas”, analisou, no seminário. Ela cobrou do governo a retomada das demarcações e uma ação firme no Congresso contra os vários projetos que pretendem fragilizar os direitos indígenas.

“É muito preocupante”

“A alta do desmatamento revela o comprometimento do Estado brasileiro com a questão ambiental e com a política de proteção das TIs. Embora o mundo inteiro discuta a redução do desmatamento para conter o aquecimento global e o Brasil tenha apresentado metas de redução do desmatamento ilegal, nem isso estamos conseguindo fazer. É muito preocupante. Isso tem a ver com a flexibilização da legislação ambiental, com o avanço do agronegócio, do desmatamento associado à construção das hidrelétricas e as políticas de desenvolvimento do governo. A exploração madeireira ilegal tem aumentado nas TIs. Isso não é novidade. Temos de ter uma política efetiva de proteção. Não é de agora que estamos dizendo isso.”

Sônia Guajajara, da coordenação da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib)

Direitos Indígenas

Desmatamento

Oswaldo Braga de Souza

ISA

Publicado por: ferdesigner | 31/10/2016

Revolução bioindustrial para a Amazônia

É viável criar produtos baseados na biodiversidade com alto valor agregado, capazes de suprir mercados globais. O açaí move uma indústria de bilhões de dólares

POR CARLOS NOBRE / JUAN CARLOS CASTILLA-RUBIO

Só uma mudança revolucionária de paradigma poderá reverter esse destino. É o que defendemos em recente artigo da revista científica PNAS (Proceedings of the National Academy of Sciences).

Urge criarmos um modelo de desenvolvimento, diferente de tentar conciliar conservação com intensificação agropecuária e expansão da hidroeletricidade. E a chave para isso está nos ativos da biodiversidade e da biomimética, por meio de uma Quarta Revolução Bioindustrial.

O primeiro passo é termos um plano de inovação em grande escala e que seja socialmente inclusivo e de sólida base científica e tecnológica. O uso econômico dos ativos biológicos a partir da pesquisa tecnológica avançada da Quarta Revolução Industrial (genômica, edição de genes, nanotecnologias, inteligência artificial, robótica, internet das coisas, blockchain) deve também dialogar com os povos indígenas e comunidades tradicionais, detentores de recursos e saberes tradicionais.

Mesmo com tecnologias mais simples, é viável criar produtos baseados na biodiversidade com alto valor agregado, capazes de suprir mercados globais. Veja o açaí, que move uma indústria de bilhões de dólares.

Há outros casos, como o alcaloide spilanthol — presente no jambu, planta dos quintais amazônicos —, descrito em patentes para anestésicos, antirrugas e anti-inflamatórios. Coletado em toda a região, o óleo da copaíba pode estar na formação do eixo químico fluorine-xylo de cosméticos e fármacos.

Apontamos inovações usando tecnologias da Quarta Revolução Industrial que imitam formas naturais da floresta, processos, moléculas, materiais e ecossistemas capazes de agregar valor para a bioindústria. Sabemos como os organismos percebem o ambiente por meio de sofisticados sensores, como se movem a partir da biomecânica e da cinética.

A floresta reproduz sistemas biológicos complexos e soluções biomiméticas em escala nanomolecular. Ela nos ensina processos ambientais amigáveis, indicando tecnologias antipoluição, de produção de energia e elaboração de bioestruturas têxteis a partir dos seres vivos.

A rã-túngara, que cria uma espuma de longa duração, pesquisada para geração de energia e captura de CO2. Sem falar das plantas que influíram no modelo de célula solar, alternativas ao silício.

Mas, para aproveitarmos esse potencial de mudar o rumo da história na Amazônia, temos de unir esforços públicos, privados, filantrópicos e da academia em uma coalizão de grande escala. Unir atores públicos e privados no Brasil e nos países amazônicos em torno dos melhores centros de pesquisa e desenvolvimento, universidades, startups, empresas visionárias e governos e com a participação dos povos da floresta da região. Isto é o futuro.

Carlos Nobre e Juan Carlos Castilla-Rubio são cientistas

Publicado por: ferdesigner | 31/10/2016

Mudança climática será nosso novo 7 x 1?

Possível novo ciclo de alta do desmatamento ameaça metas de redução de emissões de gases de efeito estufa. Confira artigo de Márcio Santilli

Márcio Santilli

30 de junho de 2013, Maracanã. O Brasil bate a poderosa seleção espanhola por 3 a 0, na final da Copa das Confederações. Resultado surpreendente porque a Espanha era então campeã mundial e a seleção brasileira estava desacreditada antes do torneio. Foi uma inversão total de expectativas. Caímos na euforia e voltamos a ser favoritos para a campeonato mundial do ano seguinte. Oito de julho de 2014, Mineirão. O Brasil perde por 7 a 1 da Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo. A maior derrota do escrete nacional na história das copas foi igualmente inesperada porque, por mais que o time continuasse sem encantar, vínhamos do resultado positivo do ano anterior sobre os campeões mundiais. De tão acachapante, o desastre virou metáfora para nossos insucessos em outras áreas, além do futebol.

Em poucos meses, fomos do céu ao inferno numa esfera que, apesar de tudo, sempre nos consideramos entre os melhores. Mas essas não são as únicas “vantagens comparativas” que estamos colocando em risco diante do mundo.

Há alguns dias, vazou na imprensa a taxa oficial revisada de desmatamento da Amazônia, entre agosto de 2014 e julho de 2015. Foram destruídos 6.207 km2 de floresta, e não 5.831 km2, como divulgado preliminarmente em novembro, um acréscimo de 6,45%. Assim, o aumento em relação a 2013-2014 foi de 24%, e não de 16% – o maior em quatro anos.

Ainda não há uma justificativa para uma diferença tão grande e inusual entre o dado preliminar e o definitivo, mas espera-se que isso seja esclarecido no seminário que o Ministério do Meio Ambiente promoverá, nesta semana, sobre o assunto. O evento contará com pesquisadores e representantes da sociedade civil e resgata uma prática de avaliação participativa abandonada no governo anterior. A expectativa é que a discussão aponte sugestões e prioridades para a retomada do Plano de Combate ao Desmatamento na Amazônia.

O novo aumento da taxa reforça movimento de alta iniciado em 2012, quando se encerrou um ciclo virtuoso de cinco anos seguidos de redução do índice. Ele também finaliza o período de cinco anos e meio do governo Dilma Rousseff, cujo início beneficiou-se desse ciclo construído anteriormente (veja gráfico abaixo). Apesar disso, na administração Dilma o Código Florestal foi fragilizado e intensificou-se a execução de grandes obras na Amazônia, indutoras do desflorestamento. Nos últimos anos, o desmatamento também vem crescendo em outros biomas, especialmente no Cerrado.

https://e.infogr.am/1908d313-6bba-4aa3-93ea-567236a738f7?src=embedA extensão desmatada entre 2014 e 2015 na Amazônia está ainda distante de nossos recordes pornográficos: 29 mil km2, em 1994-1995; 27,7 mil km2, em 2003-2004; 19 mil km2, em 2004-2005. Essas taxas suscitaram fortes pressões internacionais sobre o Brasil, que alcançava, então, os primeiros lugares no ranking dos maiores emissores mundiais de gases do efeito estufa, responsáveis pelo aumento da temperatura média do planeta, do nível dos oceanos e da intensidade das catástrofes climáticas.

E as nossas metas de redução de emissões?

Emissões de gases decorrentes de queimadas e desmatamento constituem a parte menor das emissões globais, que provém majoritariamente da queima de combustíveis fósseis. No caso do Brasil, diferentemente, a destruição da floresta representa hoje cerca de 40% das emissões, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEG) do Observatório do Clima.

A taxa revisada de desmatamento anunciada agora lança dúvidas sobre a capacidade do Brasil de cumprir a meta de redução das emissões decorrentes de desmatamento para 2020, incluída na legislação: uma queda de 80% do corte raso da floresta amazônica em relação à média entre 1996 e 2005, ou seja, 3,9 mil km2 de desflorestamento. Esse compromisso foi voluntariamente apresentado na Conferência da ONU de mudanças climáticas de 2009, em Copenhague, quando o presidente Lula foi o primeiro chefe de estado de um país emergente a comprometer-se com uma meta absoluta de redução de emissões.

Também preocupa o impacto da nova tendência de alta sobre a meta de redução das emissões totais assumida pelo Brasil na Conferência de Paris, em dezembro, igualmente transformada em lei: uma redução de 37%, em 2025, e de 43%, em 2030, em comparação aos níveis de 2005, por meio, entre outras ações, do fim do desmatamento “ilegal” na Amazônia em 2030 (saiba mais).

“A cada ano que mantemos a taxa atual por volta dos 5 mil km2, oscilando um pouco para mais ou para menos, estamos anulando o sucesso de redução que tivemos no período de 2005 até 2011”, analisa Paulo Moutinho, do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam). “A redução do desmatamento a zero, mesmo que seja somente o ilegal, precisa acontecer muito antes de 2030. Se nós não tivermos, efetivamente, medidas para que isso aconteça, dada a manutenção do patamar de 5 mil km2, atingir o que a meta estabelece vai ficar, a cada ano, mais difícil”, completa.

O pesquisador do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) Paulo Barreto associa o novo salto nas taxas não apenas à flexibilização do Código Florestal e à redução de Unidades de Conservação promovidos nos últimos anos, mas também à sinalização política dessas iniciativas. “A queda do desmatamento, que indicava que o Brasil atingiria suas metas, foi baseada em políticas bem específicas e bem sucedidas. Essas políticas foram enfraquecidas”, avalia.

O que mais surpreende no salto da taxa de desmatamento é a sua ocorrência num período de inédita depressão econômica. Via de regra, as crises econômicas implicam em queda nas emissões, mas o Brasil caminha para ser uma exceção. Mesmo com uma redução de 3,8% do PIB em 2015, que será seguida por outra queda em 2016 na mesma ordem, e mesmo supondo que a depressão resulte na redução de emissões em outros setores da economia, deve haver aumento nas emissões brasileiras em geral. O impacto relativamente menor da crise econômica sobre as atividades agropecuárias e a capacidade delas de impulsionar o desflorestamento podem ajudar a explicar essa perversa situação.

A verdade é que os governos Lula e Dilma apresentaram metas que tinham como níveis de referência taxas altas de desmatamento, mas o fizeram em momentos em que já estava estabelecida uma tendência de decréscimo da destruição da floresta – que agora parece estar sendo revertida. A intenção foi fortalecer a posição do Brasil nas negociações internacionais, o que é legítimo, mas não evitou que o país se aproximasse de 2020 e do início do período de compromissos do Acordo de Paris na contramão do processo de redução das emissões globais.

O fato é que estamos colocando em risco uma meta que, num período de euforia com a queda do desflorestamento, chegamos a considerar que cumpriríamos facilmente. Será que as mudanças climáticas serão nosso novo 7 x 1?

Publicado por: ferdesigner | 30/09/2016

Cigarras, borboletas e andorinhas

Por Marina Silva

Há dez anos, quando dirigia o Ministério do Meio Ambiente, tomei conhecimento de estudos realizados pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia que alertavam sobre o aumento do risco de combustão da floresta amazônica, provocado pela elevação da temperatura média na região e redução das chuvas, como decorrência do aquecimento global, do desmatamento e das queimadas nas zonas de expansão agropecuária.

Em 2007, o relatório do IPCC indicava que a Amazônia poderia virar uma espécie de savana até o fim do século, uma floresta mais seca, mais baixa, menos diversa e mais rarefeita. Embora estudos posteriores tenham mostrado que esse risco é menor do que se supunha e o próprio IPCC tenha reconhecido em seu relatório de 2014, continuou a afirmar que espera uma significativa diminuição das chuvas e aumento dos períodos de secas mais severas no leste da Amazônia.

Foi-se a polêmica, mas ficaram os alertas quanto aos efeitos. Infelizmente, em algumas regiões da Amazônia essas previsões têm se confirmado, como mostram os diversos eventos extremos ocorridos na última década. As duas piores secas na Amazônia ocorreram em 2005 e 2010, sendo que a de 2010 reduziu as chuvas numa área de 3 milhões de km² de floresta – bem mais do que o 1,9 milhão de km² afetado em 2005. As secas causam a morte de milhões de árvores e animais, além de enormes prejuízos para as comunidades ribeirinhas, para a economia e o abastecimento de água nas cidades. Outro exemplo dramático veio da porção ocidental da Amazônia. Em 2005, o Acre viveu sua pior seca da história e viu arder em brasa cerca de 400 mil hectares de florestas. Atualmente, o rio Acre tem a maior seca já registrada, um ano e meio depois da maior enchente.

Povos do Xingu estão sitiados em suas próprias terras pelo modelo de produção que se incentiva na Amazônia

No plano global, o ano de 2015 foi considerado o mais quente da história e o aquecimento continua: 2016 pode bater esse recorde. É inegável que o aquecimento do planeta está se acelerando e as consequências indicadas pelos cientistas décadas antes já começam a se tornar fato corrente.

Assisti ao comovente filme “Para onde foram as andorinhas?”, produzido pelos institutos Socioambiental e Catitu. O filme documenta com paradoxal delicadeza a tragédia social e ecológica dos povos indígenas no Parque do Xingu, mostrando o aumento da temperatura e as mudanças no regime das chuvas e na biodiversidade provocadas pelo desmatamento, queimadas e uso de agrotóxicos nas fazendas que circundam o parque.

Essa é uma tragédia silenciosa, que se desenrola alheia à percepção da sociedade, dos governos e da imprensa. Uma crise sistêmica cujos indicadores não são divulgados nem reconhecidos. É diferente quando a bolsa de valores cai, o dólar sobe ou aumentam as taxas de juros nos Estados Unidos. Aí soam alarmados os atabaques tecnológicos das aldeias urbanas. O mundo “civilizado” entra em alerta máximo.

No Xingu, uma parcela dos brasileiros inquieta-se com indicadores que sinalizam perigo para suas vidas, seus investimentos, seus patrimônios e a destruição de todo seu modo de vida. A inquietação agrava-se no silêncio: esses indicadores só serão medidos, vistos e sentidos pelas comunidades do Xingu? Esses grupos terão cada vez menos aliados nos governos, nos parlamentos e na imprensa? Poderão eles acionar estruturas econômicas e instituições fortes em sua defesa?

Em vários povos, a crise se instala e se aprofunda debilitando-os até que venha a aniquilação lenta e certa. No Xingu, os índios perguntam para onde foram as andorinhas. Amanhã poderemos estar nos perguntando para onde foram os povos Aweti, Kalapalo, Kamaiurá, Kuikuro, Matipu, Mehinako, Nahukuá, Naruvotu, Trumai, Wauja e Yawalapiti que viviam no Xingu. Além dessa, teremos muitas outras perguntas de natureza ética. Perguntas incômodas, mas fundamentais.

Esses povos estão sitiados em suas próprias terras, mas não mais por grileiros, garimpeiros ou madeireiros. Estão sitiados pelo modelo de produção econômica que nosso país adota e incentiva na Amazônia e nos demais biomas. Para os que defendem esse modelo é irrelevante o desaparecimento das borboletas, cigarras e andorinhas que indicavam a chegada das chuvas e o tempo de plantar. E para todos nós fica a pergunta: será irrelevante a denúncia de que estão matando o Xingu e seus povos, junto com as borboletas, cigarras, andorinhas, florestas e rios? Será irrelevante saber que o cheiro dos agrotóxicos das grandes lavouras se sente no interior da mata, que todos os seus habitantes estão sendo envenenados?

Precisamos ver tudo como uma espécie de aviso, igual à advertência que os cientistas fazem à nossa civilização urbana e industrial. Os cenários científicos da ONU mostram que o semiárido nordestino vai ficar mais seco e quente, que as principais culturas agrícolas do Brasil sofrerão perdas bilionárias, que as cidades litorâneas terão mais inundações e deslizamentos de terra. E os índios nos avisam que seu drama de hoje anuncia nossa tragédia de amanhã.

Há pouco mais de uma semana o Senado ratificou o Acordo de Paris, onde o Brasil se comprometeu a reduzir as emissões de gases estufa em 37% até 2025 e 43% até 2030. Essa foi uma excelente notícia em meio à crise politica e econômica. Mas para que seja levada a sério, governo e sociedade devem tomar decisões urgentes. Primeiro, que o governo tem o dever de interromper os movimentos liderados por sua própria base de apoio no Congresso, que quer impor retrocessos socioambientais, como, por exemplo, a fragilização da legislação ambiental e o fim dos direitos constitucionais de indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais.

Além disso, precisamos do fortalecimento técnico, financeiro e político das instituições responsáveis pela política socioambiental do país, como os ministérios do Meio Ambiente e de Ciência e Tecnologia, Ibama, Funai, ANA e Instituto Chico Mendes e não da sua entrega a interesses contrários a suas funções. Essas instituições têm experiência e competência para firmar parcerias com a sociedade e buscar respostas para as perguntas de índios e cientistas.

Maior do que a crise política e econômica é a silenciosa e trágica crise da ecologia. Sem ecologia não há economia nem sociedade que se sustente. Temos que olhar os indicadores econômicos e sociais, é certo. Mas temos que ver bem de perto, e muito além dos juros, do dólar e da Bolsa, os indicadores de desmatamento e emissões de gases estufa. Se possível, considerando o que está sendo interpretado pelos índios através das cigarras, borboletas e andorinhas.

Marina Silva, ex-senadora e fundadora da Rede Sustentabilidade, foi ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência da República em 2010 e em 2014.

Publicado por: ferdesigner | 22/09/2016

Entregue a lâmpada usada no local onde comprou

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Foto: I Nivas I

A maneira mais adequada de descartar sua lâmpada queimada é no local onde você a adquiriu. Praticar a logística reversa é ter a certeza de que seu material terá a destinação correta.

Caso o estabelecimento não aceite a lâmpada de volta, procure postos que fazem esse tipo de coleta. O aplicativo de busca de pontos de coleta do Ecycle pode te ajudar nessa corrida pelo descarte correto.

Publicado por: ferdesigner | 22/09/2016

Cursos gratuitos na internet ensinam a fazer hortas caseiras

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Estes são alguns benefícios de ter uma horta em casa: produção e consumo de alimentos saudáveis livres de agrotóxicos, contato com a natureza, economia de dinheiro e decoração do ambiente.

Para você adquirir conhecimentos a fim de fazer sua horta caseira, o portal Mapa de Cursos OnLine indica dois cursos online e gratuitos que abordam este assunto, a saber:

  • Curso de Horta do Canal do Youtube Borellistudio;
  • Como fazer uma horta do Minicursos Acessa SP.

1 – Curso de Horta do Canal do Youtube Borellistudio

Este curso online e gratuito disponibilizado pelo BorelliStudio – um canal de vídeos educativos e de entretenimento de alta qualidade – é composto de 10 videoaulas. A duração de cada videoaula é de cerca de 30 minutos. Veja abaixo:

Aula 1 – A Horta Orgânica – (27m:23s);
Aula 2 – Composição do Solo e Adubos – (27:15);
Aula 3 – O Plantio (Primeira parte) – (28:24);
Aula 4 – O Plantio (Segunda parte) – (25:54);
Aula 5 – As culturas – (24:48);
Aula 6 – A Horta em Vasos – (27:27);
Aula 7 – Controle de pragas e doenças (Primeira parte) – (25:52);
Aula 8 – Controle de Pragas e Enfermidades (segunda parte) – (25:52);
Aula 9 – Cuidados e manutenção de uma horta orgânica – (28:22)
Aula 10 – A Colheita – (26:58).

Assista o vídeo da primeira videoaula do Curso de Horta apresentado acima:

 

Todas as videoaulas estão disponíveis com áudio em espanhol, mas são legendadas em português.
Para ter acesso ao curso siga este link.

2 – Como fazer uma horta do Minicursos Acessa SP

Curso online e gratuito composto de quatro lições.

Na primeira lição você aprenderá, dentre outros assuntos, sobre o valor das hortaliças, hortas comunitárias e como cultivar suas hortaliças em diversos recipientes, como por exemplo: caixas vazias de leite longa vida, tubos de PVC, pneus e caixotes de madeira.

A segunda lição aborda as condições do terreno das hortaliças, as ferramentas necessárias, o uso de sementes ou mudas, os adubos, dentre outros itens.

Na terceira lição do Minicurso – Como fazer uma horta – os tópicos estudados são os seguintes: Escolha o que plantar, o plantio e tempo de colheita.

Na quarta e última lição você vai aprender sobre o bom desenvolvimento das plantas, irrigação, controle de pragas e doenças e receitas caseiras para combater pragas.

Atestado: é gerado na conclusão do Minicurso de forma automática.

Para acessar este curso clique aqui.

(Via Mapa de Cursos OnLine)

POR PAINEL

Novo chico O governo do presidente interino, Michel Temer, vai lançar em breve um programa de obras para a revitalização do Rio São Francisco. Serão anunciadas medidas para os próximos 10 anos que incluirão despoluição das águas, conservação do solo, reflorestamento das margens e saneamento da bacia do rio. A equipe de Temer batizou o programa de “Novo Chico” e, mesmo com o ajuste fiscal em curso, estima gastar, de saída, R$ 6,7 bilhões até 2026.

Custa caro O gasto será incluído no Orçamento de 2017. Só a recuperação de áreas degradadas deve consumir R$ 3 bilhões até 2026.

Veneno Como o Planalto não tentou dissuadir Marcelo Castro (PMDB) de concorrer à Câmara, congressistas versados em maldade disseminavam a ideia de que houve dedo de emissários do governo na candidatura do peemedebista.

Criatividade Conforme a tese, Castro teria sido plantado com o aval de Eduardo Cunha para esvaziar Rodrigo Maia (DEM) — tirando deste votos petistas. Em um segundo turno, Maia é visto como o adversário mais perigoso para Rogério Rosso (PSD), nome de Cunha e do Planalto.

Divã Com tanta confusão, um tucano reparou: “Como o candidato do partido do presidente da República tem apoio do Lula, do PT, e foi contra o impeachment?”.

Não tenho dinheiro Reginaldo Lopes (PT) quer que a Mídia Ninja, conhecida pelas transmissões dos protestos de 2013, faça sua campanha à Prefeitura de BH. Diz que as conversas caminham.

Calma, cocada Pablo Capilé, um dos líderes do grupo, diz: “Ouvi isso, mas nenhuma proposta chegou até mim”. Em seu site, a Mídia Ninja informa que não possui “alinhamento ideológico com nenhum partido”.

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Lado B do Chaves De um líder do centrão: “Waldir Maranhão é o Chapolin Colorado, tem sempre uma astúcia”.

Se cuida O setor privado alimenta alta expectativa em relação ao governo após o impeachment. Mas empresários avisam: depois de agosto, a tolerância será perto de zero.

Ligeirinho O Planalto não pode reclamar. Ministros do presidente interino venderam a ideia de que, por ser forjado no Congresso, Temer faria tudo andar rápido por lá.

Anéis e os dedos Não há garantias de que o limite de gastos se torne lei em 2016. E a reforma da Previdência já ficou para o ano que vem.

Dá uma força? Em conversas reservadas, Henrique Meirelles (Fazenda) tem dito que a aprovação do teto para as despesas públicas este ano é fulcral para o BC iniciar a redução dos juros.

Morreu de velho Cristovam Buarque (PPS-DF) propõe uma comissão de parlamentares para examinar a segurança da usina nuclear de Angra 3. “Será que houve relaxamento na segurança por causa das propinas?”.

Girl power A senadora Marta Suplicy (PMDB) anunciará em breve sua chapa à Prefeitura de SP. Marlene Machado, do PTB, deve ser sua vice. Os dois partidos reunirão suas bancadas nesta semana para bater o martelo.

Tudo em casa Marlene é mulher de Campos Machado, presidente do PTB paulista. A negociação foi costurada por José Yunes, presidente do PMDB de São Paulo.

Punhalada A parceria frustra os planos do PRB de Celso Russomanno, que contava com o apoio do PTB.

Probleminha Líder nas pesquisas à Prefeitura de São Bernardo do Campo, Alex Manente (PPS) tem caso pendente no STF. Responde por suposto crime eleitoral na eleição de 2012. Sua defesa nega envolvimento e diz que o inquérito não irá evoluir.


TIROTEIO

Isso é apenas um desejo do PT. Já que a Casa está fragmentada, quero me lançar candidato para unir a esquerda.

DO DEPUTADO ORLANDO SILVA (PC do B-SP), sobre a movimentação do PT para formar bloco de apoio a Marcelo Castro (PMDB) junto com PC do B e PDT.


CONTRAPONTO

Ser ou não ser (golpista) — eis a questão

Minutos após Marcelo Castro oficializar sua candidatura pelo PMDB à presidência da Câmara, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) caminhava apressadamente pelos corredores da Casa.
Marcus Pestana (PSDB-MG) cruzou com o candidato e comentou sobre o apoio do PT ao PMDB.

— Eles estão ressuscitando a aliança com o PT? — provocou o tucano.

Antes mesmo que Rosso respondesse, Pestana arrematou a ironia:

— Então só falta dizerem: ‘vamos voltar ao impeachment e apoiar a tese de golpe’!

Publicado por: ferdesigner | 26/07/2016

Relatório da PF revela que Samarco sabia de falhas em represa

Troca de mensagens entre ex-presidente e diretores, obtida com autorização judicial, fala de trincas e questões de segurança

Leonardo Augusto,
Especial para O Estado

Responsabilidade por Mariana também é do governo, diz ONU

O distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, foi devastado pela lama

BELO HORIZONTE – Uma troca de mensagens pelo sistema interno de comunicação da Samarco entre o presidente da empresa à época do rompimento da Barragem de Fundão, Ricardo Vescovi, e diretores mostra que a cúpula da mineradora não só foi informada de problemas com a represa como articulava estratégia para lidar com a precariedade da estrutura. O Estado teve acesso à transcrição, feita com autorização judicial e presente no relatório final da Polícia Federal sobre a tragédia de 5 de novembro, que deixou 18 mortos e 1 desaparecido.

Nas conversas, Vescovi força a produção de informações para esconder problemas com Fundão. Ao saber de trincas na estrutura, em agosto de 2014 – mais de um ano antes do desastre -, o presidente diz: “O quê? Ai, ai, ai”. As conversas foram obtidas pelos delegados em busca e apreensão nas plantas da Samarco nas cidades de Mariana (MG) e Anchieta (ES).

Em depoimento à PF, indagado se durante sua gestão teria chegado ao seu conhecimento algum relato de problema na barragem, Vescovi respondeu que “não”. “Estas questões técnicas eram tratadas na área técnica, dentro da diretoria de operações e nas gerências dessas diretorias”, disse. “Nunca chegou ao conhecimento do declarante qualquer notícia sobre problemas na estabilidade”, diz o documento da Polícia Federal.

Barragem de rejeitos se rompe em Minas Gerais

As mensagens incluem vários anos de atividades da Samarco – a barragem é de 2008. Uma conversa de 2011 já trata da confiabilidade de Fundão. Em mensagem enviada pelo presidente da Samarco à diretora de Geotecnia da mineradora, Daviely Rodrigues Silva, em conversa sobre o FMEA (sigla em inglês para Failure Mode and Effect Analysis, a análise da confiabilidade de uma estrutura, no caso Fundão), Vescovi indaga se “mudou a probabilidade (de acontecer algum problema) ou apenas a severidade (a rigidez a estrutura)?”. “Acho esse ponto o mais relevante de todos, pois é o meio de mostrarmos que as coisas não pioraram, apenas estamos sendo mais críticos na avaliação de severidade.” A mensagem é de 27 de julho de 2011, às 23h58, e é uma resposta a um posicionamento técnico sobre Fundão enviado por Daviely. O FMEA é feito periodicamente como forma de acompanhar condições físicas de barragens.

Em seguida, Vescovi diz que “vale a pena abordarmos no texto algo que corrobore com uma baixa probabilidade de um evento, como o FMEA por exemplo, além da própria opinião do ITBR (comitê interno formado por empregados da Samarco e também especialistas externos contratados pela empresa para avaliar as estruturas da mineradora, com reuniões a cada quatro meses)”. O texto a que o presidente se refere é o relatório Health and Safety and Operations Performance (Saúde e Segurança e Performance das Operações) das estruturas da empresa.

Vescovi foi informado ainda sobre trincas na barragem, durante troca de mensagens com o então diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra. Em conversa capturada pela PF, datada de 29 de agosto de 2014, iniciada às 15h56, Terra diz: “Em Fundão apareceram umas trincas no maciço onde desviamos o eixo”. Vescovi responde: “O quê??? Ai, ai, ai… Fica esperto”.

Terra afirma que tudo está “controlado”. Vescovi pergunta sobre as características do problema. “Que tipo de trinca? Só no maciço, ou conecta com o interior da barragem?”

“Só no maciço. O ITRB na última reunião já havia falado que teremos de fazer uma drenagem intermediária no maciço. Com o alargamento da boca do vale, o tapete drenante anterior não pega todo o maciço no topo”, respondeu Terra. O maciço é a parte da frente da represa, a face. O tapete drenante fica embaixo de represas.

O Estado procurou Vescovi. Em e-mail enviado pela Samarco à reportagem, o advogado dele, Paulo Freitas Ribeiro, afirmou por nota que “o relatório de investigação da Polícia Federal constitui documento provisório, emitido a partir de entendimento unilateral”. “Ricardo Vescovi jamais recebeu qualquer aviso ou alerta sobre eventual comprometimento da segurança da Barragem do Fundão, e tampouco tentou esconder informações de qualquer sorte. Pelo contrário, as informações que recebeu sobre incidentes, naturais da operação, indicavam que a barragem se encontrava rigorosamente dentro dos padrões de segurança, conclusão alçada por diversos especialistas.”

Lama muda a cor do mar na foz do Rio Doce

“Firme?”. O relatório da PF mostra ainda mensagens entre Terra e Germano Silva Lopes, gerente geral de Projetos da Samarco. Às 11h36 de 4 de setembro de 2014, uma semana, portanto, depois da conversa com Vescovi, ele pergunta para Germano: “E Fundão… Firme?” O diretor faz observações técnicas sobre a represa e afirma que “os instrumentos e monitoramento mostram pouquíssima variação e nos dá garantia que as trincas não evoluíram e o talude está estável”.

Terra retorna: “Ótimo… Vc continua resp. tec (você continua responsável técnico) fica esperto…” Já Germano ressalta que fará “uma inspeção mensal na rotina”.

Próximo passo. Vescovi, Daviely, Terra e Germano, além de outros dois integrantes do alto escalão da Samarco e um gerente da Vale, controladora da empresa juntamente com a BHP Billiton, um engenheiro da VogBR, prestadora de consultoria para a empresa, foram indiciados pela Polícia Federal por crime ambiental. No caso da Samarco, todos foram afastados em janeiro. O relatório da PF será enviado ao Ministério Público.

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A organização promove a coleta seletiva de resíduos orgânicos em dez grandes restaurantes de São Paulo
Fotos: Instituto Guandu

Um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Além dessa quantidade alarmante que acaba indo fora, também chama a atenção o volume de lixo produzido, sobretudo em restaurantes, locais que servem centenas de pessoas diariamente.

Ao pensar nisso, a jornalista e especialista em sustentabilidade Fernanda Danelon criou o Instituto Guandu, uma instituição que busca transformar o lixo orgânico de grandes restaurantes em adubo de hortas urbanas.

A organização promove a coleta seletiva de resíduos orgânicos em dez grandes restaurantes de São Paulo. Ao utilizar métodos de compostagem acelerada, o Instituto Guandu consegue lidar com até 10 toneladas diárias de massa orgânica, transformando lixo em um poderoso fertilizante, usado em hortas orgânicas.

Benefícios da compostagem
Ainda pouco usada em áreas urbanas, a compostagem reduz a quantidade de resíduos destinada aos lixões e aterros, além da contaminação de lençóis freáticos.

“Nós fazemos a coleta seletiva diária dos resíduos orgânicos, produzimos abudo com um método de biodegradação otimizada, uma espécie de compostagem acelerada. Devolvemos o que era lixo em forma de hortas urbanas orgânicas. Além disso, promovemos palestras aos funcionários dos restaurantes, explicando a importância desse processo”, explicou Fernanda ao jornal Zero Hora.

Assista a apresentação da Fernanda no TED Laçador:

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