Publicado por: ferdesigner | 09/12/2015

Desastres climáticos custaram R$ 278 bi em dez anos

Eventos afetaram o equivalente a 25% da população entre 2002 e 2012

Cheia aumenta nível do Lago Guaíba, em Porto Alegre: eventos extremos estão mais comuns em todo o país – Divulgação/Ricardo Giusti/PMPA/23-10-2015

RIO – Toda catástrofe tem seu preço. No Brasil, os eventos extremos climáticos custaram, entre 2002 e 2012, aproximadamente R$ 278 bilhões. O número de pessoas afetadas no período por enxurradas, inundações e deslizamentos de terra equivale a 25% de toda a população. A conta está no relatório “Valorando tempestades”, publicado hoje pelo Grupo de Economia do Meio Ambiente da UFRJ.

No período analisado, a quantidade de recursos destinados à resposta aos desastres e recuperação das regiões prejudicadas aumentou expressivamente — saltou de R$ 130 milhões, em 2004, para R$ 3 bilhões, seis anos depois. Ainda assim, as verbas deveriam ser muito maiores.

— O país precisa de R$ 25,3 bilhões por ano para reagir às catástrofes naturais. É praticamente o mesmo gasto com o Bolsa Família, que, este ano, receberá R$ 27 bilhões — afirma Camilla Aguiar, coautora do levantamento. — Muitas pessoas acreditam que o ambientalismo é contrário ao desenvolvimento. Na verdade, o passivo ambiental de hoje é o passivo fiscal de amanhã. A degradação do meio ambiente, que não é mensurada, prejudica as atividades econômicas. Por isso, é melhor prevenir do que remediar.

Além de reparar os danos à infraestrutura, as regiões afetadas por desastres são obrigadas a interromper serviços essenciais e sofrem com o aumento do déficit público, já que gastam, em caráter emergencial, recursos para socorro à população e reconstrução das áreas afetadas.

IMPACTO MAIOR NO NORDESTE

Embora registrem menos desastres naturais do que o Centro-Sul do país, os municípios nordestinos são os mais vitimados no orçamento.

— As cidades do Nordeste têm infraestrutura pior do que a vista em municípios de outros estados — lamenta Camilla. — Falta corpo técnico para detectar onde pode haver desastres e, caso ocorram, para preencher os formulários necessários à liberação de verbas do governo federal.

Coordenador do Centro Universitário de Estudos e Pesquisas sobre Desastres, Antônio Edésio Jungles destaca que o número de catástrofes praticamente triplicou em apenas 20 anos, passando de 3.556 casos (entre 1991 e 2001) para 10.066 (no período de 2002 a 2012).

— Há mais fenômenos naturais, com maior impacto e mais distribuídos pelo país — diz. — Devido à estiagem, alguns municípios do Nordeste não conseguem sair do estado de emergência. Mas o Noroeste gaúcho também tem áreas desérticas, e, em certas épocas, os ribeirinhos não conseguem se deslocar no Amazonas, porque os rios secam.

Jungles critica a falta de preparo de governantes para lidar com as áreas sujeitas a grandes desastres:

— Não existe uma coordenação interministerial para criar projetos de prevenção contra desastres, e sobra burocracia na hora de reagir a eles. Os recursos da União demoram para chegar, e as pessoas que fornecem o serviço emergencial acabam cobrando preços mais altos.

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