Publicado por: ferdesigner | 12/11/2015

Quais são os impactos ambientais de um smartphone?

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Processo de fabricação possui pegadas (ecológica ou ambiental, hídrica e de carbono) bastante significativas
Foto: Marcos Santos/USP Imagens/Fotos Públicas

O smartphone (telefone inteligente, em tradução livre) é um aparelho celular que faz uso de um sistema operacional (OS) – esse sistema permite que o item exerça distintas funções por meio de programas ou aplicativos (apps), algo que era comum apenas em computadores. O pequeno aparelho tem revolucionado a vida de muitas pessoas, pois não importa em que local o usuário esteja (casa, trabalho, rua, praia), o usuário sempre poderá se conectar com o mundo e executar uma infinidade de tarefas complexas com a ponta de seus dedos.

O smartphone se tornou um bem de uso “essencial” para muitos que necessitam fazer ligações, enviar mensagens de texto, jogar diversos games, assistir a filmes e seriados, procurar rotas por meio do GPS, elaborar planilhas, acessar sites, ler noticias, entre outras funcionalidades.

Com tantos atrativos, a indústria de smartphones vem crescendo rapidamente e lançando funcionalidades “essenciais” em uma enxurrada de novos aparelhos. Mas eles não duram muito, pois a obsolência é muito bem programada pelos fabricantes – como tantos celulares seriam vendidos se os aparelhos tivessem longa vida útil funcionando perfeitamente? Assim, após um certo período, os smartphones começam a apresentar defeitos diversos.

Poderíamos tomar 850 banhos com a mesma quantidade de água utilizada na produção de um único smartphone

Se muitos “computadores de bolso” são produzidos anualmente, todos eles deixam rastros no planeta, pois requerem matérias-primas que são extraídas de diversas partes da natureza e o processo de fabricação possui pegadas (ecológica ou ambiental, hídrica e de carbono) bastante significativas.

As pegadas do smartphone
Dentre os diversos recursos extraídos do meio ambiente para a produção de um smartphone, destacam-se minerais como lítio, tântalo e cobalto, além de metais raros, como a platina, o que intensifica a pegada global em 18 m² de solo, 12.760 l de água e 16 kg de emissões de carbono.

Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), em um banho econômico de chuveiro elétrico, utilizamos aproximadamente 15 l de água. Portanto, poderíamos tomar 850 banhos com a mesma quantidade de água utilizada na produção de um único smartphone.

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Outro ponto impactante ao meio ambiente são os elementos de terras raras que são utilizados para a fabricação de imãs, baterias, luzes de LED, alto-falantes, placas de circuito impresso e telas de vidro polido. O mercado mundial desses elementos é dominado pela China que, ao extrai-los, causa um forte impacto ao meio ambiente. Os resíduos de sua extração incluem o arsênio, bário, cádmio, chumbo, fluoretos e sulfatos – a partir de uma tonelada de minério, 75 mil litros de efluentes ácidos são gerados, além de uma enorme quantidade de efluente gasoso e pouco menos de uma tonelada de resíduos radioativos.

O estanho é outro elemento de grande devastação ambiental e que está presente nos smartphones. Segundo a Friends of the Earth, a ilha de Bangka, na Indonésia, que fornece um terço da oferta mundial de estanho, sofre muito com esta mineração; além da prática causar fortes consequências ambientais ao meio ambiente local, destruindo florestas costeiras, contaminando a água potável, degradando o solo, danificando os recifes de corais e afetando populações de peixes. Além disso, a extração manual do estanho tem causado altas taxas de mortalidade e de ferimentos horríveis para os trabalhadores envolvidos.

A Trucost, empresa que calcula os custos ocultos do uso insustentável dos recursos naturais, obteve dados referentes às pegadas do smartphone. As embalagens foram responsáveis por mais de 50% da pegada ambiental de um smartphone; já as matérias-primas, como colas e plásticos, excluindo a mineração e as embalagens, foram responsáveis por mais de 39% da pegada. A fabricação dos componentes e a montagem do smartphone representaram a maior pegada hídrica de todo o processo, com aproximadamente 40% da água total gasta no processo – desses 40%, praticamente 95% são de água cinza, usada para diluir os seus poluentes.

Dicas
Existem diversos sites para calcular as suas pegadas. Mude de conceito, reduza a sua pegada hídrica, sua pegada de carbono e sua pegada ambiental ou ecológica… E não troque o seu aparelho celular só porque lançaram um modelo novo, prefira produtos ecologicamente corretos, desligue aparelhos eletrônicos da tomada quando não estiverem em uso pois assim eles também consomem energia, recicle ou descarte de forma correta suas pilhas e baterias, desligue suas lampadas e troque-as por econômicas, obtenha uma relação mais agradável com o meio ambiente e, por fim, tenha uma pegada mais leve.

Também não é necessário deixar de usar o celular ou se desligar de toda a tecnologia que facilita a vida em diversos pontos, apenas reflita mais antes de fazer uma simples compra. Vai ser realmente importante adquirir um celular novo? O seu modelo antigo não pode durar mais um pouquinho?

Assista ao vídeo “Alô? Chamada para acordar! O perigo de um simples celular” que mostra os perigos no ciclo de vida de um smartphone por meio de animações.

(Via eCycle)

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