Publicado por: ferdesigner | 14/07/2015

O que as Olimpíadas do Rio terão de ‘sustentáveis’?

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Mascotes dos Jogos Rio 2016 foram batizados de Vinícius e Tom
Foto: Divulgação

Com o crescimento do conceito de sustentabilidade nos últimos anos, nada mais natural que as últimas edições dos Jogos Olímpicos (Pequim 2008 e Londres 2012) implementassem medidas ambientalmente corretas desde a sua organização. No Rio de Janeiro, em 2016, não será diferente, segundo apurou o Blog do Planeta.

O plano do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016 é usar seu poder de compra para garantir que os itens usados nos jogos sejam ecologicamente e socialmente corretos. E que esse esforço de compras ajude diversos fabricantes no país a atender critérios de sustentabilidade mais elevados. O orçamento é de R$ 3 bilhões – com cerca de 30 milhões de produtos a adquirir.

O comitê preparou um manual de compras com critérios de sustentabilidade e trabalha para desenvolver os fornecedores em algumas áreas-chave. São elas:

  • Alimentação: Serão 14 milhões de refeições servidas nos refeitórios da Vila Olímpica e outras áreas da competição. O plano é oferecer vários menus com opção de orgânico, vegetariano, vegano, kosher e outros. “Precisamos dar conforto a quem vem de diferentes países e segue diferentes tradições ou religiões”, observa Tania Braga, gerente de sustentabilidade do comitê. Além da diversidade, o comitê quer garantir alguns princípios. A carne de boi precisa vir de fornecedor que garanta não comprar de pecuarista em área de desmatamento ilegal. O comitê está trabalhando com as ONGs WWF e Conservação Internacional para selecionar o critérios de rastreabilidade para a carne. O peixe também deve ser certificado. O comitê fez uma parceria com o Marine Stewardship Council, organização internacional responsável pela principal certificação marinha. “Queremos incentivar um sistema de certificação que nos permita servir pirarucu de pesca sustentável na Amazônia ou de uma reserva extrativista marinha no litoral do Brasil”, adianta Tania.
  • Não-perecíveis: Para escolher os produtos não perecíveis, o comitê encomendou um estudo de ciclo de vida dos materiais. Ele considerou os impactos de toda a vida do produto, desde a origem até o descarte final. Com isso, o comitê montou um sistema baseado em cores. Os tipos de produto em vermelho não devem ser comprados. Para os laranjas, é bom procurar opção. Os itens em azul estão livres. O comitê decidiu substituir os painéis de lona, que incluem produtos químicos pesados na produção, por outros de tecido. O desafio atual é encontrar um substituto economicamente viável para o PVC, que também envolve química pesada e é de difícil descarte ou reciclagem.
Serão 5.400 medalhas cunhadas para os Jogos. Os três metais são encontrados em aparelhos eletrônicos descartados. Também é possível recuperar ouro de aparelhos antigos de radiografia
  • Iluminação: A sede do comitê na Cidade Nova, perto da Prefeitura do Rio, é um prédio modular, armado com contêineres. Ele vai crescendo aos poucos, recebendo mais metro quadrado e mais andares na medida em que os jogos se aproximam. “Quando fomos encomendar os primeiro lote de lâmpadas pensamos em usar LED no lugar das fluorescentes tradicionais em escritórios”, diz Tania. Cada lâmpada de LED custava o triplo do preço na ocasião. “Mas fizemos a conta completa”, ressalta. Primeiro, um arquiteto avaliou que, para iluminar a mesma sala, bastam 4 lâmpadas LED em vez de 6 fluorescentes. Depois, consideraram que a LED dura muitos anos. “Quando os jogos acabarem, devolveremos as lâmpadas com a estrutura da empresa que construiu o prédio. Levando em conta tudo isso, e mais a economia na conta de energia, o preço da LED passou a valer a pena”, calcula Tania.
  • Madeira certificada: São 80 mil camas, 40 mil armários além de 485 pódios para os medalhistas. Nos esportes coletivos, como vôlei, o time todo sobe no pódio, e é necessário mais de um módulo de pódio. O comitê está trabalhando com o Forest Stewardship Council (FSC) que certifica produtos de origem florestal. “Conseguimos certificar 8 indústrias moveleiras pequenas e médias do Brasil e estamos com 13 no processo”, diz Tania.
  • Almofadas: Os atletas e profissionais hospedados na Vila Olímpica descansarão em 22 mil almofadas. “Queríamos que elas fossem feitas por artesão das favelas do Rio”, diz Tania. O comitê buscou ONGs que trabalhassem com cooperativas de artesanato nas comunidades. Fizeram uma concorrência simplificada, para as ONGs comunitárias participarem. “Funcionou. Elas têm até junho de 2016 para entregar as almofadas”, afirma Tania. A maior parte do material é entregue mais próximo da data dos Jogos, para facilitar o transporte e o armazenamento.
  • Condições trabalhistas: Os fornecedores nacionais de todos os materiais e serviços dos Jogos precisaram apresentar uma meta de oferecimento de primeiro emprego ou para contratação de moradores das favelas do Rio. “Cada empresa oferecia sua meta e nós avaliávamos junto com os outros critérios”, diz Tania. O comitê também foi verificar as condições de trabalho dos fornecedores. Inclusive fora do Brasil. Um grupo de compradores do comitê organizador passou um ano vistoriando 5 fábricas de materiais têxteis na China. “Fizemos uma lista de exigências para que eles melhorassem as condições de trabalho e fomos conferir se cumpriram”, afirma.
  • Medalhas: O comitê desafiou a Casa da Moeda do Brasil, responsável pela fabricação dos biscoitos de ouro, prata e bronze, a usar a maior quantidade possível de metal reciclado. Serão 5.400 medalhas cunhadas para os Jogos. Os três metais são encontrados em aparelhos eletrônicos descartados. Também é possível recuperar ouro de aparelhos antigos de radiografia. O Comitê Organizador e a Casa da Moeda irão anunciar o percentual de reciclagem das medalhas quando o design delas for oficialmente apresentado no segundo semestre deste ano.

Pontos polêmicos
Entre os pontos polêmicos que cercam a realização dos Jogos Olímpicos do ano que vem está a Baía de Guanabara, onde estão previstas as competições de vela. Devido à poluição do local, a Federação Internacional de Vela já se manifestou a favor de que as provas sejam transferidas para outro lugar. Passarão por lá 324 atletas de 34 países em 250 embarcações.

A remoção de moradores da Vila Autódromo, bairro situado ao lado do Parque Olímpico, chegou a motivar o jornalista Felipe Pena a produzir o longa “Se Essa Vila não Fosse Minha”, que mostra a situação das pessoas que foram removidas e das que ficaram. “Foi mostrado que a comunidade não precisava ser removida, a UFRJ e a UFF mostraram isso cientificamente”, alegou Pena ao Globoesporte.com 

De acordo com a Secretaria Municipal de Habitação do Rio de Janeiro, das 583 famílias da Vila Autódromo, 280 tinham suas casas nas áreas onde serão duplicadas as avenidas Salvador Allende e Abelardo Bueno e também onde passarão obras de canalização de rios. Dessas famílias, 204 preferiram o imóvel no Parque Carioca, outras 76 foram indenizadas. Outras 172 famílias que não seriam afetadas diretamente preferiram sair e foram reassentadas ou indenizadas.

Já a construção do campo de golfe em uma área de preservação ambiental, na Barra da Tijuca, provocou protestos de ambientalistas, principalmente dos movimentos “Golfe para quem?” e “Ocupa Golfe”. A obra, orçada em R$ 60 milhões, é de responsabilidade da Fiori Empreendimentos. Em troca, a prefeitura permitiu a exploração comercial de parte do terreno, e por meio de uma lei complementar mudou o zoneamento para abrigar o projeto – o que levou dois funcionários da Secretaria de Meio Ambiente a entregar o cargo.

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