Publicado por: ferdesigner | 14/07/2015

Com investimento de R$ 30 mi, Gamesa inaugura fábrica de naceles na Bahia

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Companhia conta com pedidos fechados para a geração de mais 1.500 MW no Brasil nos próximos anos
Fotos: Gamesa/Divulgação

O aumento da demanda por energia no Brasil, somado a fatores como a instabilidade climática e a já esgotada dependência pelas fontes hidroelétricas e termoelétricas, fazem com que o setor eólico consiga se desenvolver no País mesmo em meio ao atual cenário de crise econômica. Um bom exemplo vem da Bahia, onde foi inaugurada oficialmente nesta segunda-feira, 8 de junho, a fábrica de naceles da Gamesa, em Camaçari.

A planta, que tem capacidade de geração de 640 MW de energia, contou com investimento de R$ 30 milhões, o que vai permitir duplicar a sua força de trabalho, que ascenderá a 570 empregados até ao fim de 2015. O empreendimento, única fábrica de naceles da empresa espanhola na América Latina, foi implantado em setembro de 2014, quatro meses antes do exigido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para manter sua subscrição no Finame.

Dotada de uma linha multimodelo, a unidade industrial atualmente produz naceles (espécie de ‘coração’ dos aerogeradores) para a turbina G97-2.0 MW e, a partir de janeiro de 2016, será introduzido também o modelo G114, um aerogerador que reduz em 10% o custo da energia relativamente ao modelo anterior. Ambas as máquinas foram parte da plataforma 2.0-2.5 MW da Gamesa, das quais já foram instaladas mais de 1.000 MW no Brasil.

A Bahia concentra a maior parte dos parques de energia eólica e solar a serem instalados no país, a partir de 2015 – com previsão de entrada em operação em 2017

“Essa ampliação reforça nossas operações em um mercado prioritário para a Gamesa: em 2014, o Brasil foi o responsável por 22% do total de MW vendidos pela companhia. A Gamesa é um dos fabricantes líderes desse mercado, graças a uma estratégia de negócio que combina liderança global com conhecimento local, aliado a um forte compromisso com o desenvolvimento de suas comunidades em termos de geração de riqueza, criando emprego por meio de aquisições e alianças com fornecedores locais”, destacou Ignacio Martín, presidente da Gamesa.

Papel estratégico
O diretor-geral da companhia no Brasil, Edgard Corrochano, ressaltou que o Nordeste brasileiro tem um papel estratégico para a Gamesa, “pois é uma região onde se encontra grande parte dos parques eólicos nacionais graças a suas excelentes condições de vento”. O fato de a fábrica estar situada no polo de Camaçari também foi enfatizado pelo executivo. Para ele, fornecedores competitivos têm sido atraídos pelo governo do Estado para o complexo, o que favorece os investimentos nesse segmento.

elbia-melo-ecod.jpgAo saudar a inauguração do empreendimento em solo baiano, a presidente da ABEEólica (Associação Brasileira de Energia Eólica), Elbia Melo (foto), lembrou que o Brasil vive um “momento virtuoso” acerca do desenvolvimento da energia eólica, apesar da situação difícil vivida pelo País economicamente. “Hoje somos o segundo país mais atrativo do mundo no setor. Só em 2014 foram gerados 40 mil empregos e um total de R$ 9 bilhões em investimentos”, enumerou.

A presidente da ABEEólica projetou ainda que a energia eólica será em breve a segunda fonte mais representativa da matriz energética nacional, atrás apenas da hidroelétrica. “A energia eólica é essencial para o Brasil”, reforçou Elbia Melo.

Você sabia?
A energia eólica possui, atualmente, 6,5 GW de potência instalada, o que corresponde a 4,8% da matriz elétrica brasileira. Atualmente, a energia eólica já atende entre 2% e 2,5% da carga Brasileira e, segundo a CCEE (Câmara de Comercialização de Energia Elétrica), é hoje a segunda fonte de energia mais competitiva da matriz, superada apenas pelas grandes hidrelétricas.
Da potência já contratada, o Brasil terá, em 2019, cerca de 18 GW instalados e, pelas projeções do Governo, para ano de 2023 a capacidade instalada da fonte eólica será de 22 GW, o que corresponderá a mais de 11% da matriz elétrica nacional no referido cenário. (Fonte: ABEEólica)

O governador da Bahia, Rui Costa, observou que o Estado tem como meta estruturar as cadeias produtivas e que “a indústria eólica é a prioridade número um de seu governo”. O político também observou que o desenvolvimento do setor simboliza uma “revolução econômica e social” em regiões de baixa renda. “Os empreendimentos eólicos dinamizam as cidades do semiárido, que são extremamente pobres, mas onde estão justamente os melhores ventos do mundo e os parques eólicos”, ponderou.

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Bahia é o Estado que mais captou projetos eólicos no Brasil nos últimos anos

Ventos baianos
A Bahia concentra a maior parte dos parques de energia eólica e solar a serem instalados no país, a partir de 2015 – com previsão de entrada em operação em 2017. Isso porque o estado do Nordeste foi o principal destaque dos empreendimentos das empresas que participaram do leilão de energia de reserva, realizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), em outubro do ano passado.

Dos 62 projetos vencedores, 30 serão instalados em solo baiano (14 solares e 16 eólicos). Juntos, eles serão responsáveis pela geração de 773,1 MW. Os investimentos somam R$ 3,4 bilhões.

Linhas de transmissão
Apesar do otimismo com a inauguração da fábrica de naceles da Gamesa, o fantasma de um passado nem tão distante pode tirar o sono dos executivos espanhóis: as linhas de transmissão. Até junho de 2014, os parques eólicos do sudoeste baiano sofreram com o atraso de entrega de parte da Chesf, o que gerou um prejuízo mensal de R$ 33 milhões aos cofres públicos. À época, a concessionária foi multada em 11,5 milhões.

Questionado pela reportagem do EcoD, Edgard Corrochano reconheceu que, de uma forma geral, as linhas de transmissão ainda são um problema não resolvido, o que pode representar um risco. “Hoje o risco de transmissão é do empreendedor, sendo que o preço da tarifa não compensa. Isso precisa ser ajustado. É importante que o leilão já conte com a garantia da conexão”, sugeriu o diretor da Gamesa no Brasil.

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