Publicado por: ferdesigner | 11/06/2015

Ministro diz que país precisa dar prioridade a usinas térmicas para reduzir custo da energia

‘Não precisamos ter preconceito. Precisamos ser racionais’, afirma Eduardo Braga

POR BRUNO ROSA


O ministro de Minas e Energia Eduardo Braga – ANDRE COELHO / Agência O Globo

RIO – O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, disse nesta quarta-feira que a meta do governo para este ano é adicionar à matriz energética uma geração de 6.400 megawatts com novas usinas. Até abril, destacou Braga, foram 2 mil megawatts. No caso de linhas de transmissão, a meta é construir 7.120 quilômetros neste ano. O ministro defendeu que, para reduzir o custo de geração e superar os desafios atuais, com a crise no setor, é preciso vencer os preconceitos e investir em usinas térmicas mais baratas, a partir de gás natural, carvão e nuclear.

— Estão programados mais três leilões de geração neste ano. Teremos quatro leilões de linhas de transmissão, com investimentos de R$ 27 bilhões. Queremos colocar energia firme de base e o Brasil precisa priorizar térmicas de base com foco e estratégia de reduzir o nosso custo variável unitário. Hoje, algumas máquinas precisam ser substituídas por outras mais baratas e mais estáveis na geração e mitigar o custo no setor. Para isso, é preciso estratégia com gás natural e com as fontes de biomassa e ter tecnologia correta para explorar com eficiência o carvão mineral. Não precisamos ter preconceito. Precisamos ser racionais com a energia nuclear. Nossa política passa por rever prioridades e não vamos abrir mão de energias alternativas — afirmou Braga, que participa da 12ª edição do Encontro Nacional de Agentes do Setor Elétrico (ENASE), realizado em Copacabana, no Rio de Janeiro e que conta com a presença dos principais nomes do setor elétrico.

O ministro também citou a energia éolica e a energia solar.

— Vamos unir a desoneração fiscal e o incentivo do capital privado. Na energia solar, estamos iniciando estudos para avançar numa nova tecnologia dentro de reservatórios.

Braga disse que o Brasil vive um momento de transformação e de ajustes para vencer os desafios e crescer de uma forma sustentável.

— Ontem (terça-feira), o Brasil conseguiu uma grande vitória, pois estamos levando a sério o programa do ajuste fiscal. O programa é fazer o Brasil crescer e preparar o Brasil para um crescimento robusto e contínuo. Para isso, é preciso energia elétrica e energia. O nosso setor é responsável pelo um insumo fundamental que, passado essa fase de ajustes, a energia e a energia elétrica não tenham gargalos — disse Braga.

NOVAS USINAS NUCLEARES

Segundo Braga, a energia nuclear é uma necessidade. Ele afirmou que o governo pretende construir quatro novas térmicas nos próximos anos, a partir de uma pré-seleção de 21 locais e que ainda vai precisar passar por uma avaliação da presidente Dilma Rousseff.

— Mais que uma prioridade, é uma necessidade. O que precisamos é ter um setor elétrico seguro e manter o fornecimento de energia com custo de geração e tarifação compatível com nossa economia é que seja mais competitivo. Assim,a térmica nuclear não pode ser desprezada. Tem 21 sítios analisados e selecionados com o Plano Nacional de Desenvolvimento que indicou a necessidade de quatro usinas nucleares e que estamos pré-selecionados os quatro mais recomendáveis para avaliação superior. No segundo semestre estaremos prontos com pré-estudo para discutir com a presidente. Vamos analisar agora as linhas de transmissão e as linhas de carga. Temos que entender o ponto ótimo para ser o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto.

Mas Braga disse que o “modelo de obra pública precisa ser alterado”.

— Esse modelo está vencido e Angra 3 é o último empreendimento como obra pública. A parte de construção e engenharia poderia ser construída por iniciativa privada e a operação sendo feita pela eletronuclear. O brasil deveria ser autossuficiente em urânio enriquecido.

REALISMO TARIFÁRIO

Braga destacou ainda que o setor tem compromisso com o “realismo tarifário”. Ele disse que também que é preciso ser mais eficiente para ter um modelo sustentável.

— A era de commoditties passará por uma nova fase e a economia terá de passar por uma reengenharia. Isso não significa reconstruir tudo e sim que os fundamentos precisam ser orientados para ser inclusiva no cenário internacional. Para isso, é preciso uma reengenharia no setor elétrico. O primeiro passo foi a tarifa de energia, no qual tivemos de fazer um esforço compartilhado — destacou. — É preciso adentrar na questão da geração pois o mundo também muda no clima e isso se reflete no modelo do sistema elétrico, que se mostrou fraco recentemente e ainda com linhas fracas de transmissão. E isso mostrou que temos desafios.

Braga falou que uma solução só se dará com bom senso e diálogo.

— Estamos junto com o órgão regulador para elevar a capacidade de investimento em geração. O equacionamento das concessões das empresas públicas está na reta final. A geração distribuída será uma grande solução para distribuir as energias alternativas, como a solar. Estamos vivendo uma crise que poucos achavam que iria ocorrer. É a crise hídrica. E esse cenário de racionamento e com a ajuda de Deus deixamos esse cenário de racionamento para trás, com déficit zero em algumas regiões. O desafio agora é administrar os reservatórios.

Participam do evento ainda o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, o presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Mauricio Tolmasquim, e o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), Hermes Chipp.

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