Publicado por: ferdesigner | 20/05/2015

Oito indústrias de SP têm o dobro da água de toda a cidade de Campinas

Empresas captam de rios da bacia do Cantareira; cidades no entorno sofrem com crise hídrica

Governo do Estado estuda mudar modelo de licenças para evitar que atendimento ao setor afete moradores

ARTUR RODRIGUESFABRÍCIO LOBELDE SÃO PAULO

Um grupo de apenas oito indústrias do interior paulista tem autorização para captar dos rios uma quantidade de água duas vezes maior que a da cidade de Campinas (a 93 km de SP), com 1,1 milhão de habitantes.

As empresas lideram a lista das maiores licenças de captação de água na bacia do sistema Cantareira, a mais afetada pela atual crise hídrica no interior São Paulo.

Em alguns casos, o uso da água por essas companhias, combinado com chuvas abaixo da média, causa impacto no abastecimento da população. A região tem pequenos municípios em rodízio de água há um ano.

Diante da atual crise, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) estuda mudar as regras de concessão da água para evitar que o atendimento à indústria afete moradores.

Atualmente, a legislação prevê que o abastecimento humano deve ter prioridade sobre outros setores, como o industrial, a agricultura e a produção de energia, mas, para especialistas e integrantes do governo, a regra não é suficiente em condições climáticas extremas.

“O abastecimento público é prioritário, mas e entre todos os outros usos? Quem sai da fila entre a indústria, a agricultura e o setor elétrico? Nosso sistema de outorga não responde a isso”, disse em evento público em março Mônica Porto, secretária-adjunta de Recursos Hídricos.

Um dos primeiros avanços na discussão ocorreu em janeiro, quando a ANA e o DAEE (agências reguladoras federal e estadual, respectivamente) determinaram que as licenças de captação para cidades, indústrias e agricultura seriam reduzidas caso os rios estivessem abaixo de determinado nível.

Para o professor Antônio Carlos Zuffo, da Unicamp, uma alternativa com menor impacto na economia seria a criação de um “mercado de água”, em que indústrias de diferentes setores pudessem negociar entre si o direito de uso do recurso.

PARALISAÇÃO

Entre as líderes de captação de água na região estão a multinacional do setor químico Rhodia, a Petrobras e a Suzano Papel e Celulose.

Elas fazem parte de uma lista de 580 indústrias autorizadas a captar água diretamente da bacia dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí -onde está inserido também o sistema Cantareira, que abastece a Grande São Paulo.

Algumas, como a Rhodia, tiveram unidades paralisadas no ano passado em razão da crise da água.

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