Publicado por: ferdesigner | 14/04/2015

Superfiltro dispensa produtos químicos para tratar água

Tecnologia implantada no ano passado em São Paulo poderá substituir as estações tradicionais da Sabesp

Ultrafiltração é usada para tratamento de fontes de qualidade menor; alto gasto de energia é uma barreira

FABRÍCIO LOBELDE SÃO PAULO

Imagine um superfiltro de água capaz de barrar, além de poeira e sujeira, bactérias e a maioria dos tipos de vírus.

Esse é o processo por trás da técnica de tratamento de água potável, que vem sendo aplicada na Grande São Paulo desde o ano passado.

A ultrafiltração pode substituir as atuais estações de tratamento, que usam filtros de areia e produtos químicos.

Essa tecnologia foi responsável por aumentar em 1.000 litros por segundo a capacidade de tratamento do Sistema Guarapiranga, que abastece a zona sul de São Paulo.

Com o ganho, em fevereiro, o reservatório se tornou o maior produtor de água potável da metrópole (outros 13 mil litros por segundo continuam sendo tratados pelo método tradicional).

O governo paulista agora trabalha para instalar mais filtros e ampliar em mais 1.000 litros por segundo a capacidade de produção.

Segundo especialistas, a maior vantagem da ultrafiltração é a segurança que se tem da água tratada no final do processo e a ausência de produtos químicos.

Cada tipo de água captada nos rios ou represas tem um perfil químico e biológico. Com a ultrafiltração, essas variações passam a ter menos importância na qualidade do produto final.

Por isso, o método é aplicado até mesmo em fontes de água mais poluídas por bactérias e sujeira física (a exceção são os metais pesados e alguns poucos tipos de vírus, que não podem ser removidos pelo filtro). O método é usado até para tratar esgoto.

Tudo começa quando a água é colocada em um recipiente cilíndrico repleto de pequenos tubos, como canudinhos muito finos. Essas são as membranas de ultrafiltração. A água entra pela parede da membrana, que tem poros microscópicos. É então “sugada” pelos canudos e captada.

Uma vantagem do método é a rapidez de implantação de uma estação, que pode ocorrer em até seis meses. Uma estação tradicional demora anos para ser construída.

A ultrafiltração está há décadas na indústria química e alimentícia, mas passou a ser usada para o tratamento de água potável em 1993.

Hoje, além dos EUA, a tecnologia é utilizada na Austrália, no Canadá, na Espanha e também em Argentina, Chile e Paquistão. No Brasil, existem ao menos quatro estações deste tipo para água potável.

Para o professor da UFMG Marcelo Libânio, especializado em tratamento de água, o uso de estações de ultrafiltração começa a ser viável quando o custo para se captar e, principalmente, transportar a água de lugares distantes passa a ser muito caro.

“Uma vez que as cidades continuam crescendo e precisamos ir cada vez mais longe para pegar a água, passa a ser mais vantajoso usar novas tecnologias para tratar águas de pior qualidade que estejam mais próximas”, disse.

Segundo ele, o grande problema é o alto gasto de energia elétrica para manter os filtros funcionando. Com a atual crise hídrica, o gasto energético deverá ser um desafio ao longo deste ano.

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