Publicado por: ferdesigner | 14/04/2015

Relatório da ONU revela que 10% da população mundial ainda não tem acesso à água tratada

Populações de países pobres são as mais vulneráveis aos problemas de abastecimento e tratamento do recurso

Represa de Paraibuna, que chegou ao volume morto pela primeira vez na história este ano – Márcio Alves / Agência O Globo

BRASÍLIA – Às vésperas do Dia Mundial da Água, comemorado no próximo domingo, a Unesco publicou um estudo no qual revela que 748 milhões de pessoas, o que representa 10,3% da população mundial, ainda não têm acesso à água potável. O levantamento está no Relatório Mundial sobre Desenvolvimento de Recursos Hídricos, divulgado pela Unesco. Neste ano, o documento destacou principalmente a relação entre a miséria em países em desenvolvimento e as dificuldades no fornecimento de água limpa.

Cerca de 80% da população mundial vive em países onde as desigualdade de renda está se expandindo, como resultado da rápida urbanização das cidades. Esse processo, aliado ao aumento da industrialização e da melhoria na qualidade de vida, contribuem para o crescimento da demanda por água. No entanto, o relatório ressalta que as camadas mais pobres tendem a ser privadas do recurso.

Segundo os dados da Unicef, a quantidade de pessoas que não tinha acesso à água potável caiu um ponto percentual em 22 anos. Porém, nesse período, o total da população que não tem água limpa saltou de 111 milhões para 149 milhões. Para a Unesco, isso demonstra que o fornecimento de água própria para o consumo é pior onde o processo de urbanização está em descompasso com a prestação de serviços públicos de saneamento.

A diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, destacou em comunicado que os países precisam mudar a política de gestão da água, como forma de reduzir a miséria:

— Os recursos hídricos são um elemento-chave das políticas de combate à pobreza, mas são, por vezes, ameaçados pelo desenvolvimento econômico. Água influencia diretamente o nosso futuro, por isso precisamos mudar a nossa forma de gerir e utilizar este recurso em face da sempre crescente demanda e exploração de nossas reservas de água subterrânea. A comunidade internacional tem de elaborar um novo programa de desenvolvimento, para ter ao longo dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio — afirmou Bokova.

EM CINCO ANOS, 900 MILHÕES MORARÃO DE FORMA IRREGULAR

Para ilustrar o problema, o documento publicou uma foto da favela da Rocinha, no Rio, que é a maior do mundo e ainda sofre com a falta de tratamento de água. A previsão da Unesco é de que daqui a cinco anos, 900 milhões pessoas vão morar em comunidades irregulares. Para a entidade, elas são as mais vulneráveis aos problemas decorrentes das deficiências no saneamento.

Até 2050 a demanda por água nas fábricas e usinas termoelétricas em todo o mundo deve ser 55% maior em relação ao consumo atual. A situação também é grave nos países que compõem o BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Nessas regiões, onde o uso de água pelas indústrias deve subir entre 7 e 22%.

Mas não é só o consumo industrial que ameaça a oferta de água. Também o uso de água para a irrigação de plantações compromete a oferta. A previsão da Unesco é de que até 2050 a produção de alimentos vai precisar aumentar em 60%. Já nos países em desenvolvimento a quantidade tem que dobrar de volume.

Uma alternativa para reforçar a disponibilidade de água seria a exploração dos lençóis freáticos. Contudo, quase um quarto dos desses aquíferos estão depredados em todo o mundo, já que não houve uma exploração desenfreada desse recurso.

Para tentar evitar um colapso na oferta de água, a Unesco recomenda que os países invistam em inovações e tecnologia, como em métodos de osmose reversa – para dessalinizar a água do mar – e também em técnicas para o reaproveitamento.

O órgão ressalta que os repasses a esses projetos são favoráveis à economia: a cada um dólar investido em abastecimento e saneamento de água, há um retorno que varia de U$5 a U$28. Se fossem destinados U$53 bilhões anuais para esse fim, em cinco anos toda a população mundial teria acesso à água.

Em vista disso, a Unesco estabeleceu que a prioridade para os países da América Latina é reduzir a pobreza para garantir o cumprimento do direito à água, que faz parte das Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM) pós-2015.

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