Publicado por: ferdesigner | 08/04/2015

Amazônia enfrenta um paradoxo

Por Paulo Vasconcellos | Do Rio

Maurício Broinizi: “É preciso investir em pequenas estações locais”

A escassez de água potável mesmo onde o recurso natural é abundante é uma realidade desafiadora que demanda, às vezes, mais criatividade do que grandes investimentos. Na Amazônia, a maior bacia hidrográfica do mundo, cerca de cinco milhões de pessoas em áreas rurais da região não têm acesso à água potável. O abastecimento é considerado problema grave porque a falta de saneamento produz uma água com índices de turbidez acima do valor máximo permitido, teores de ferro e alumínio elevados e presença de coliformes.

Em trinta anos, a mortalidade infantil no Estado do Amazonas caiu de 69,1 para 16,7 por mil nascidos vivos, mas ainda assim é quase o dobro dos 9,2 por mil de Santa Catarina, o Estado brasileiro com o melhor desempenho no indicador, de acordo com o IBGE.

“Temos que buscar formas alternativas para ter água potável e tratamento de resíduos. É preciso investir em soluções locais e planos emergenciais, como pequenas estações locais ou o uso de água de nascente”, diz Maurício Broinizi, coordenador do programa Cidades Sustentáveis.

Desde 2006, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas distribui kits compostos por calhas, tubulações, conexões de PVC e reservatórios de águas de 500 litros para as comunidades ribeirinhas. O Programa Água para Todos já atendeu sete mil famílias.

O Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), criado em 1999 e apoiado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), no desenvolvimento de programas de pesquisa, manejo e assessoria técnica nas áreas das Reservas Mamirauá e Amanã, na região do Médio Solimões, já instalou mais de dez sistemas de abastecimento de água por energia solar. O objetivo é promover a melhoria das condições de saúde e para que as gestões municipais se apropriem da tecnologia e possam levá-la para outras comunidades.

O sistema é alimentado por painéis fotovoltaicos que são colocados sobre o rio em balsas flutuantes, bombeando a água para um reservatório elevado. O reservatório é conectado a um filtro de areia, para pré-tratamento da água e remoção de resíduos sólidos. Após a filtragem, a água é distribuída para as residências. O projeto ganhou o Prêmio Finep de Inovação, na categoria Tecnologia Social, em 2012.

A academia também tem dados contribuições para a solução dos desafios de abastecimento onde há escassez na abundância. Na última edição do Prêmio ANA, a maior premiação do Brasil sobre o tema da água, um dos finalistas foi um apetrecho para tornar a água dos rios amazônicos potável.

A realidade de Laranjal do Jari, onde 80% dos atendimentos em postos públicos ocorrem por contaminação da água, provocando doenças como tifo, diarreia e amebíase, foi o ponto de partida para a criação de um filtro de água ecológico, de baixo custo, desenvolvido por alunos do Instituto Federal do Amapá (Ifap).

O recipiente é formado a partir de duas embalagens plásticas de manteiga, vazias e limpas, que são coladas. Na parte inferior é instalada uma torneira. Depois de filtrada, a água recebe 10 gotas de hipoclorito. A ideia é que o projeto seja replicado por meio de artigos científicos publicados em outras regiões do Brasil.

Outro projeto foi desenvolvido pelo Grupo de Pesquisas sobre o Aproveitamento de Água na Amazônia, Saneamento e Meio Ambiente (GPAC Amazônia). A partir de estudos com 40 famílias de Ilha Grande, em Belém, foi criado um banco de dados e produzidos mapas pluviométricos que ajudam na definição de sistemas de aproveitamento de água de chuva. Os modelos pilotos de captação agora devem ser espalhados para milhares de comunidades rurais da região Amazônica.

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