Publicado por: ferdesigner | 19/03/2015

Nova placa permite geração solar até em carros e fachadas de prédios

Por Marcos de Moura e Souza | De Belo Horizonte

Atualizada às 16h40

A reportagem mencionou kilowatt por hora (kw/h). O correto, no entanto, é kilowatt hora por ano (kwh/ano). A informação precisa, portanto, é que os painéis que estão sendo desenvolvidos pelo Csem Brasil podem gerar de 120 kwh/ano a 150 kwh/ano. Abaixo o texto corrigido.

A represa de uma hidrelétrica do grupo Votorantim vai se tornar parte de uma experiência energética ainda pouco conhecida. Painéis de energia solar serão lançados como boias sobre a lâmina d’água e conectados à usina. A Votorantim espera, assim, aumentar sua capacidade de geração eletricidade sem nenhuma grande mudança estrutural da hidrelétrica.

Tiago Maranhão, diretor do CSEM: “Fazer esses painéis [maleáveis] não tem mistério. A questão é produzir em escala, com eficiência e custo competitivo”

Em tempos de estiagem e represas com níveis baixíssimos de água, a ideia poderá representar uma revolução. O projeto está sendo desenvolvido em parceria com um centro de pesquisas, o CSEM Brasil, que se dedica à produção de um novo tipo de painel de energia solar. Um painel de plástico e muito mais leve que os convencionais.

A Votorantim não é a única interessada nessa tecnologia. Pelo menos outros dois grandes grupos, a Fiat no Brasil e a Medabil – fabricante de estruturas metálicas para galpões – firmaram parcerias com o mesmo laboratório. O que as companhias buscam é também objeto de desejo de outras grandes corporações pelo mundo: novas formas de uso da energia solar.

Os pesquisadores do CSEM desenvolvem painéis fotovoltaicos orgânicos (OPV, na sigla em inglês). Trata-se de uma tecnologia ainda nascente que já é vista como a próxima geração dos painéis espelhados convencionais, grandes, pesados e feitos com silício.

“Grandes empresas pelo mundo estão interessadas nessas células solares de terceira geração. Isso está muito em voga”, diz Neyde Yukie Murakami Iha, professora do Departamento de Química Fundamental do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP). A universidade já teve uma parceria com a Petrobras nessa área e chegou a negociar com a Eletropaulo um acordo – que acabou não prosperando.

Neyde trabalha numa linha de pesquisa com um tipo de célula capaz de dar a um vidro – que recobre um edifício ou das janelas de um automóvel, por exemplo – a capacidade de gerar energia elétrica a partir da luz do sol.

Os pesquisadores do CSEM Brasil apostaram em outra variante. Aplicam camadas de uma combinação de células em pedaços de plástico PET flexível e leve que ganham a propriedade de transformar luz solar em energia elétrica. Pesquisas semelhantes com esse material estão sendo feitas na Alemanha e Japão, segundo o diretor-presidente do centro Tiago Maranhão.

“Fazer esses painéis [maleáveis] não tem mistério. A questão é produzir em escala, com eficiência e custo competitivo. E isso está no processo industrial que cada um guarda a sete chaves”, diz Maranhão.

Com uma equipe de 40 pessoas, entre eles cerca de 20 pós-doutores em áreas como engenharia, química e física, o CSEM Brasil é financiado pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela gestora de investimentos FIR Capital, que tem uma história de apostas em negócios inovadores. Desde de 2006, foram investidos R$ 70 milhões no laboratório.

Os cientistas brasileiros e de outras doze nacionalidades, que trabalham em pesquisas em microssistemas cerâmicos e em eletrônica orgânica, chegaram a um produto que é uma faixa maleável, leve e transparente de plástico com 20 centímetros de largura. A partir de junho ou julho, uma empresa que surgiu dentro do centro de pesquisas, chamada Sun New, começa a produzir essas faixas com 50 centímetros de largura, o que facilitará a criação dos novos painéis em escala comercial, diz David Travesso Neto, da Fir Capital.

O que torna as células de terceira geração um atrativo é que elas permitem pensar em geração de energia fotovoltaica em virtualmente qualquer lugar que receba luz do sol. Na capota de um carro ou boiando numa represa, por exemplo. Numa barraca ou na cobertura de pontos de ônibus.

“O projeto de pesquisa e desenvolvimento entre a Votorantim Energia e o CSEM é importante pelo diferencial de geração que apresenta. Os painéis obtidos com essa tecnologia terão o peso muito reduzido e permitirão a instalação em praticamente qualquer local”, informou a Votorantim Energia por meio de nota. A empresa acrescentou que as represas onde os novos painéis serão instalados serão definidos ao longo do projeto.

Com a tecnologia atual, seria inconcebível para Votorantim usar seus lagos como base para uma usina fotovoltaica, cujas placas pesam cerca de 100 quilos.

Segundo Maranhão, um metro quadrado desses pedaços de plástico pode gerar entre 120 e 150 kilowatts hora por ano (kwh/ano), o que, segundo ele, é semelhante ao que se tem em painéis convencionais. Ele prefere não falar em termos de eficiência, um conceito mais difundido no setor que aponta o percentual de luz do sol que incide sobre a placa que é convertida em eletricidade.

As placas OPV do CSEM, assim como outras de terceira geração ainda em pesquisa, têm desvantagens quando comparadas aos módulos convencionais: preço e durabilidade são duas delas.

Maranhão não revela quanto cada placa superleve que o CSEM está produzindo custará. Mas diz que o preço de uma placa convencional ainda é muito mais baixo. Quanto à resistência, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) diz que um módulo de silício dura 25 anos, muito mais do que um de terceira geração, ainda não testado por tanto tempo.

O diretor-executivo da entidade, Rodrigo Sauaia, diz, no entanto, que vê nas novas tecnologias de terceira geração uma mudança-chave para dar aplicações mais variadas à energia solar. Segundo ele, a tecnologia com silício representa hoje mais ou menos 85% da geração de energia fotovoltaica no mundo. Outras duas tecnologias, de segunda geração, que não usam silício ocupam quase todo o resto do mercado mundial. A terceira geração ainda fica com 1% a 2%, diz Sauaia.

No Brasil, movido sobretudo à geração hidrelétrica e térmica, a energia a solar responde atualmente por uma fatia insignificante, de 0,01%, ou 15,2 MW de potência fiscalizada, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

César Bilibio, presidente da Medabil, empresa especializada em estruturas metálicas que se apresenta como líder no segmento em toda a América Latina, encontrou nas novas formas de produção de energia fotovoltaica uma oportunidade de negócio. E assim como Votorantim e Fiat, a companhia do Rio Grande do Sul firmou uma parceria com o centro de pesquisa. O produto que está em fase de concepção para a construtora é de uma telha metálica – recoberta pelo OPV – que gere energia.

“Estamos na fase final do produto e não posso abrir os detalhes”, diz Bilibio. “O mercado enxerga cada vez mais a oferta de energia como um problema e está demandando soluções. E é isso o que pretendemos oferecer.”

Num projeto que pode se revelar uma inovação estratégica, a Fiat também não quis dar muitos detalhes sobre a iniciativa de usar energia do sol para alimentar equipamentos, como ar condicionado e eletrônicos dos carros. Isso, em tese, poderia permitir uma redução no consumo de combustíveis e a redução de emissão de gases poluentes.

Por meio de nota, a montadora italiana informou: “A Fiat Automóveis firmou parceria com o CSEM Brasil e a PUC Minas para desenvolver pesquisas relacionadas à aplicação de placas fotovoltaicas em veículos, com foco na melhoria da eficiência energética e na redução do consumo de combustível”.

A empresa informou também que já conta com uma equipe de bolsistas de doutorado e mestrado para acompanhar experiências com uso dessas placas. Informou também que já adquiriu um equipamento que será usado nesses testes. “A Fiat foi a primeira fabricante de automóveis na América Latina a adquirir equipamento portátil de análise de emissões, para início dos testes nos veículos adaptados ainda neste primeiro semestre.”

“O projeto de pesquisa e desenvolvimento entre a Votorantim Energia e o CSEM é importante pelo diferencial de geração que apresenta. Os painéis obtidos com essa tecnologia terão o peso muito reduzido e permitirão a instalação em praticamente qualquer local”, informou a Votorantim Energia por meio de nota. A empresa acrescentou que as represas onde os novos painéis serão instalados serão definidos ao longo do projeto.

Com a tecnologia atual, seria inconcebível para Votorantim usar seus lagos como base para uma usina fotovoltaica, cujas placas pesam cerca de 100 quilos.

Segundo Maranhão, um metro quadrado desses pedaços de plástico pode gerar entre 120 e 150 kilowatts hora por ano (kwh/ano), o que, segundo ele, é semelhante ao que se tem em painéis convencionais. Ele prefere não falar em termos de eficiência, um conceito mais difundido no setor que aponta o percentual de luz do sol que incide sobre a placa que é convertida em eletricidade.

As placas OPV do CSEM, assim como outras de terceira geração ainda em pesquisa, têm desvantagens quando comparadas aos módulos convencionais: preço e durabilidade são duas delas.

Maranhão não revela quanto cada placa superleve que o CSEM está produzindo custará. Mas diz que o preço de uma placa convencional ainda é muito mais baixo. Quanto à resistência, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) diz que um módulo de silício dura 25 anos, muito mais do que um de terceira geração, ainda não testado por tanto tempo.

O diretor-executivo da entidade, Rodrigo Sauaia, diz, no entanto, que vê nas novas tecnologias de terceira geração uma mudança-chave para dar aplicações mais variadas à energia solar. Segundo ele, a tecnologia com silício representa hoje mais ou menos 85% da geração de energia fotovoltaica no mundo. Outras duas tecnologias, de segunda geração, que não usam silício ocupam quase todo o resto do mercado mundial. A terceira geração ainda fica com 1% a 2%, diz Sauaia.

No Brasil, movido sobretudo à geração hidrelétrica e térmica, a energia a solar responde atualmente por uma fatia insignificante, de 0,01%, ou 15,2 MW de potência fiscalizada, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

César Bilibio, presidente da Medabil, empresa especializada em estruturas metálicas que se apresenta como líder no segmento em toda a América Latina, encontrou nas novas formas de produção de energia fotovoltaica uma oportunidade de negócio. E assim como Votorantim e Fiat, a companhia do Rio Grande do Sul firmou uma parceria com o centro de pesquisa. O produto que está em fase de concepção para a construtora é de uma telha metálica – recoberta pelo OPV – que gere energia.

“Estamos na fase final do produto e não posso abrir os detalhes”, diz Bilibio. “O mercado enxerga cada vez mais a oferta de energia como um problema e está demandando soluções. E é isso o que pretendemos oferecer.”

Num projeto que pode se revelar uma inovação estratégica, a Fiat também não quis dar muitos detalhes sobre a iniciativa de usar energia do sol para alimentar equipamentos, como ar condicionado e eletrônicos dos carros. Isso, em tese, poderia permitir uma redução no consumo de combustíveis e a redução de emissão de gases poluentes.

Por meio de nota, a montadora italiana informou: “A Fiat Automóveis firmou parceria com o CSEM Brasil e a PUC Minas para desenvolver pesquisas relacionadas à aplicação de placas fotovoltaicas em veículos, com foco na melhoria da eficiência energética e na redução do consumo de combustível”.

A empresa informou também que já conta com uma equipe de bolsistas de doutorado e mestrado para acompanhar experiências com uso dessas placas. Informou também que já adquiriu um equipamento que será usado nesses testes. “A Fiat foi a primeira fabricante de automóveis na América Latina a adquirir equipamento portátil de análise de emissões, para início dos testes nos veículos adaptados ainda neste primeiro semestre.”

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