Publicado por: ferdesigner | 19/03/2015

Israel usa esgoto e água do mar para garantir abastecimento

País alia a economia à tecnologia para suprir o consumo de região perto do deserto do Saara

Brasil pode investir mais na indústria da água e reduzir o consumo, sugere professor de Jerusalém

DIOGO BERCITOEM MADRI

Poderia ser uma variação da fábula da cigarra e da formiga: um país rico em recursos hídricos esbanja água por décadas. Outro, em uma região seca, economiza. A moral da história, neste início de ano, parece óbvia.

Com a crise de abastecimento enfrentada hoje por São Paulo, outrora acostumada à abundância, a cidade pode pedir conselhos a Israel. Ali, a escassez de água empurrou governo e cientistas a buscar suas soluções.

Encravado em uma região próxima ao deserto do Saara e à península Arábica, Israel consome 2,1 quatrilhões de litros de água ao ano –o Estado de São Paulo consome 4,8 quatrilhões por ano.

Mas os recursos naturais de Israel só garantem por ano, hoje, 750 trilhões de litros cúbicos de água. Assim, estranha a afirmação de Avner Adin, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, que diz em entrevista à Folha: “Em Israel, hoje nós temos bastante água”.

Isso porque o país, nas últimas décadas, investiu em tecnologias. Como resultado, Israel recicla 80% de seu esgoto e dessaliniza o suficiente para garantir 25% do consumo. Ninguém fica sem água.

“Aprendemos na escola que a água evapora, vira nuvem, chove e se acumula nas reservas subterrâneas. Agora temos outras fontes, como esgoto”, afirma o professor Adin, que é também fundador de uma consultoria.

A tecnologia que garante os avanços não é barata. O sucesso israelense no setor, segundo Adin, é o resultado de uma cooperação entre o governo, o setor privado e a academia.

As usinas de dessalinização são construídas e operadas pelo setor privado. Após um período, as instalações ou são entregues ao governo, ou esse contrato é renovado.

“É caro, mas os avanços e a competição entre as empresas levou à queda no preço”, diz. Se, no ano 2000, mil litros de água dessalinizada custava US$ 1,5, hoje é US$ 0,60.

A água dessalinizada ainda é mais cara do que a retirada, por exemplo, do mar da Galileia –que custa 70% do valor de sua versão sem sal.

A escassez é quem faz fluir, ali, a criatividade. “Precisamos inovar, já que não temos o bastante”, diz Adin.

Escasso, o recurso é razão de conflitos regionais. A distribuição de água é política também, no atrito entre Israel e a Autoridade Nacional Palestina. Parte das reservas israelenses nasce em países inimigos, como o Líbano.

O Brasil, onde a água parece abundante, precisa encontrar suas soluções, diz. “Precisa olhar para dentro de si e perguntar-se se o governo está investindo na indústria da água como prioridade.”

O consumo também precisa ser reduzido. Na indústria, a economia pode ser feita com a reciclagem da água, por exemplo. Na agricultura, com a irrigação por gotejamento –desenvolvida, aliás, em Israel. Nas casas, com a educação e a conscientização.

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