Publicado por: ferdesigner | 12/03/2015

Novos linhões para eólicas custarão R$ 6 bi

ANDRÉ BORGES / BRASÍLIA – O ESTADO DE S.PAULO

Governo estima que será preciso construir 4.087 km de linhas de transmissão para levar a energia do Nordeste para o Sudeste

Os prejuízos bilionários provocados nos últimos dois anos pela inexistência de linhas de transmissão para distribuir a energia gerada em parques eólicos já prontos levaram o governo a antecipar o planejamento de novas redes. É uma tentativa de evitar a repetição de um velho problema.

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, acaba de listar centenas de obras necessárias para garantir a chegada da energia dos ventos do Nordeste aos consumidores do Sudeste, onde está concentrada a maior parte da demanda. Os estudos apontam que será preciso investir R$ 6 bilhões em 4.087 kms de novas linhas de transmissão para ampliar o alcance entre os Estados da Bahia, Goiás, Minas Gerais e Espírito Santo.

Paralelamente, será necessário desembolsar mais R$ 600 milhões em interligações regionais, com 1,2 mil km de novas redes entre os Estados do Nordeste, segundo o relatório. Os projetos têm previsão de conclusão até 2019.

A maior parte desses projetos deve atender usinas eólicas já licitadas e que estão em etapas iniciais de construção. Em 2013, o governo contratou 7.145 megawatts (MW) de potência eólica no País – 4.503 MW serão gerados pelos cataventos da Região Nordeste. “O significativo aumento da geração de energia na Região Nordeste torna necessário o correto dimensionamento da expansão dos sistemas de interligação regionais, especialmente a interligação Nordeste – Sudeste”, informa a EPE.

A exportação de energia eólica do Nordeste para o Sudeste ocorrerá porque, segundo a autarquia federal, haverá um “excedente de oferta de energia elétrica na região” em meses de ventos mais fortes.

Bolso. O atraso crônico nas linhas de transmissão tem custado bilhões ao consumidor de energia. Em 2012, quando os primeiros projetos eólicos ficaram prontos para entrar em operação, as linhas chegaram a atrasar até dois anos, o que adiou o início de operação dessas usinas para junho de 2014.

Esse descompasso custou nada menos que R$ 2 bilhões à população, dinheiro que foi usado para remunerar parques eólicos desligados, já que eles cumpriram o cronograma de entrega da obra.

Ainda hoje há dois parques eólicos no Rio Grande do Norte e outro na Bahia concluídos, à espera de que um dia chegue a linha de transmissão.

Juntos, esses empreendimentos somam 250 MW de energia. A previsão é de que as interligações, previstas para o ano passado, estejam prontas até o fim deste ano.

Ranking. “Você não pode fazer transmissão olhando pelo retrovisor. O planejamento agora está sendo feito da forma que sugerimos, identificando a necessidade de transmissão futura”, diz a presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica (Abeeólica), Elbia Melo. “O País já mapeou bem o potencial eólico. Estamos confiantes de que, se esse planejamento for bem executado, não voltaremos a ter problemas.” Os dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) apontam que a capacidade instalada das usinas eólicas em operação no Brasil teve um aumento de 127% em 2014, passando de 2.181 MW para 4.945 MW. O ano foi encerrado com um total de 195 usinas eólicas em operação comercial, 105 a mais do que em 2013.

O Brasil ocupa hoje o 11.º lugar no ranking dos países com maior capacidade de geração eólica em todo o mundo. No mapa nacional, a liderança dos ventos é puxada pelo Rio Grande do Norte, 60 usinas e 633 MW médios, seguido pelo Ceará (41 usinas e 621 MW médios) e Bahia (33 usinas e 328 MW médios).

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