Publicado por: ferdesigner | 05/03/2015

Hidrelétricas podem estar superestimadas

Estudo mostra que projeções do ONS são otimistas; informações defasadas prejudicam planejamento do setor

Renovação das garantias físicas, que deveria ser feita em 2014, tem novo prazo até o final deste ano

DE SÃO PAULO

Informações defasadas sobre a capacidade de geração de energia prejudicam o planejamento do funcionamento do sistema elétrico, segundo especialistas.

A origem do problema está na renovação das garantias físicas das usinas hidrelétricas –que deveria ter sido feita no ano passado, mas acabou ficando longe das prioridades do governo diante da crise no setor.

A garantia física corresponde à quantidade de energia que determinada usina é capaz de gerar. Com base nela, define-se quanto aquela usina poderá se comprometer a entregar nos contratos de venda de energia. Caso a garantia física esteja superestimada, a hidrelétrica não será capaz de entregar o que se comprometeu.

Para especialistas, isso pode estar acontecendo no Brasil. Estudo da Thymos Energia (consultoria especializada no setor elétrico), feito para o instituto Acende Brasil em 2013, já mostrava que há um comportamento distinto entre as simulações de geração de energia, feitas pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), e a operação efetiva do sistema.

O estudo, que avaliou os anos de 2011 e 2012, concluiu que as estimativas do ONS, feitas a partir de um modelo matemático que tenta representar o sistema elétrico, sempre são mais otimistas do que a realidade.

“A projeção do ONS para o nível dos reservatórios sempre foi superior ao nível verificado de fato no estudo”, diz Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil.

“A nossa grande suspeita é que os dados usados na simulação não estejam mais fidedignos com a realidade”, diz João Carlos Mello, presidente da Thymos.

Segundo o especialista, essa diferença entre as simulações para a operação do sistema e o que de fato ocorre deve ser capturada na revisão das garantias físicas.

Essa discrepância preocupa porque é com base nessas projeções que o ONS define o acionamento das usinas, térmicas ou hidrelétricas. As garantias físicas, por sua vez, são usadas como parâmetros em novos leilões e contratos.

NOVO PRAZO

O tema está no radar do Tribunal de Contas da União (TCU). Em maio de 2014, uma auditoria do tribunal apontou indícios de que a atual capacidade de geração seria estruturalmente ineficiente para garantir a segurança energética por vários fatores, entre eles a superavaliação da capacidade das hidrelétricas.

O TCU, então, pediu que o Ministério de Minas e Energia elaborasse um plano para a renovação das garantias. Em dezembro, a pasta determinou a formação de um grupo de trabalho para analisar a metodologia.

O assunto é sensível para as geradoras de energia elétrica, que podem ter seus contratos revistos com a redução da garantia física, levando-as a perdas de receita.

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