Publicado por: ferdesigner | 05/03/2015

Crise de energia traz gás da África ao Brasil

Importação é necessária para religar usina térmica de Uruguaiana, que tem um dos maiores custos de produção

Medida foi tomada pelo governo para reduzir risco de falta de energia durante picos de consumo neste verão

FELIPE BÄCHTOLDDE PORTO ALEGRE

O Brasil está importando gás natural da África para garantir o funcionamento de uma usina térmica no Rio Grande do Sul tida como decisiva no reforço ao sistema elétrico nacional.

A termelétrica de Uruguaiana, na fronteira da Argentina, começou a operar na semana passada por um período emergencial de 60 dias e, segundo dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico, tem o terceiro custo mais elevado entre as abastecidas com gás natural no país.

Nos primeiros dias de operação, de acordo com dados do ONS, o custo do megawatt-hora em Uruguaiana foi de R$ 471,30. Em média, as térmicas a gás custaram R$ 241,17.

As 12 térmicas a carvão custaram em média R$ 170,96 no mesmo período.

O acionamento emergencial da unidade foi citado no início do mês como uma “manobra” pelo ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, para fortalecer o sistema nacional. Com o baixo nível dos reservatórios e a alta demanda de consumo do verão, o risco de desabastecimento preocupa o governo.

AVAL DA ARGENTINA

Afastada de grandes centros e sem ligação com o gasoduto Brasil-Bolívia, a unidade no Rio Grande do Sul depende do aval do governo argentino para ser ligada.

Para convencer o país vizinho a liberar gás natural à termelétrica, o Brasil teve que importar o insumo da Nigéria por meio de uma subsidiária da Petrobras, transportá-lo de navio até a Argentina e injetar o carregamento na rede de gasodutos argentinos.

A Sulgás, uma estatal do Rio Grande do Sul, faz a intermediação entre uma companhia argentina e a AES, empresa que opera a térmica de Uruguaiana.

A usina funcionava com gás natural encaminhado diretamente pela Argentina até 2009, quando o governo do país vizinho passou a limitar o envio do produto para o exterior por causa do desabastecimento do mercado interno. Desde então, foi ligada apenas por períodos de 60 dias em 2013 e em 2014.

Nas duas oportunidades, o Brasil fez operação parecida de transporte, mas com gás importado de Trinidad e Tobago, na América Central.

Se for ligada na capacidade total, a térmica consumirá 2,4 milhões de metros cúbicos de gás por dia, quantidade superior a tudo que o Rio Grande do Sul consome diariamente por meio do gasoduto Brasil-Bolívia.

CONSUMIDOR

As partes envolvidas não revelam os valores do processo. Os custos desse tipo de operação costumam ser repassados aos consumidores.

A AES Uruguaiana, por meio de sua assessoria, informou apenas que, por causa da queda no preço internacional dos combustíveis, a despesa com a geração na unidade neste ano será 40% inferior à do ano passado.

O Ministério de Minas e Energia disse que o custo da usina é “extremamente competitivo em comparação com as térmicas que estão sendo despachadas atualmente”. Também afirmou que a operação “fortalece” a segurança energética do país.

Procurada, a Petrobras não respondeu aos questionamentos da reportagem.

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