Publicado por: ferdesigner | 17/10/2014

Combater a degradação de florestas é desafio para país

Por Daniela Chiaretti | De Brasília

Um incêndio sob torres de alta tensão atingiu a Floresta Nacional em Brasília segunda-feira, atrapalhando a segurança energética da região. Se foi intencional, ou de causa natural, não se sabe. O que se sabe é que se trata de um típico caso de degradação florestal do Cerrado na seca. Estudar essa dinâmica e os processos de degradação e regeneração florestal é o próximo desafio para o Brasil, que monitora com sucesso o desmatamento da Amazônia há mais de 25 anos.

Desmatamento é o corte raso das árvores, o que provoca modificação abrupta do cenário. Degradação é menos visível, mais sutil e complexa. É uma modificação na estrutura florestal que pode ter várias causas e evoluir para desmatamento ou regredir.

O Inpe começou a monitorar a degradação da Amazônia recentemente. Há dez dias divulgou números mais recentes do projeto Degrad. Em 2011, 2012 e 2013, na Amazônia Legal, 24.650 km2, 8.634 km2 e 5.434 km2, respectivamente, apresentaram algum estágio de degradação. O bom sinal é que os valores estão em queda. “Mas se estão diminuindo na Amazônia, será que estão aumentando em outros biomas?”, pergunta a pesquisadora Mercedes Bustamante, do Departamento de Ecologia da Universidade de Brasília.

Entender o processo da degradação e regeneração das florestas tropicais é tema de um workshop, que reúne em Brasília pesquisadores do Inpe, Embrapa, Nasa, Instituto Max Planck e Painel Intergovernamental de Mudança Climática, braço científico da ONU conhecido pela sigla IPCC. “A degradação não é binária, como o desmatamento. É um processo contínuo”, diz Michael Keller, do US Forest Service e pesquisador da Embrapa Sensoriamento Remoto.

Nos fóruns internacionais de clima, a ideia da degradação florestal existe, mas não é definida. “Dificultaria se tentássemos chegar a essa definição”, diz a pesquisadora do Inpe Thelma Krug, uma das maiores especialistas no assunto. “Cada país quer se ver retratado nesse conceito e isso dificulta o consenso.”

“Fogo, vento, seca, deslizamentos, movimentação do solo são alguns distúrbios das florestas tropicais”, diz Susan Trumbore, do Instituto Max Planck. “O que não entendemos é como funciona essa dinâmica, quando as árvores morrem, quando tornam a crescer, a que taxas, quais os limites.”

Degradação florestal é um processo que muda a perspectiva do monitoramento, diz Mercedes, organizadora do evento. Ele abre um ciclo de empobrecimento da floresta, com perda de carbono, de biodiversidade, de função ecológica. O bioma pode se regenerar ou não. “É preciso deixar de olhar essas florestas com visão de curto prazo. São 20, 30, 40 anos cruciais para determinar se elas chegarão ou não ao ponto de não retorno.”

Este caminho complexo e imprevisível tem que ser mais estudado para que avancem políticas públicas. É o caso da Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação, mecanismo criado nos fóruns internacionais conhecido pela sigla REDD+.

Há boas notícias. O Brasil está avançando em seu projeto de elaboração do Inventário Florestal Nacional. Deve estar terminado em 2017, diz Joberto Freitas, do Serviço Florestal Brasileiro.

A repórter viajou a convite da Universidade de Brasília

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