Publicado por: ferdesigner | 19/09/2014

Para especialista, obra no Paraíba do Sul é pontual

Ex-presidente do Inea diz que solução de longo prazo requer investimentos de até R$ 5 bi

POR CLARICE SPITZ / MÔNICA TAVARES / RAMONA ORDOÑEZ

Seca. Rio Paraíba do sul seco. Foto: Helen Souza / Folha Da Manhã / Agência O Globo – / Agência O Globo

RIO, BRASÍLIA e SÃO PAULO – No dia seguinte ao fechamento do acordo entre os governos de Rio, São Paulo e Minas Gerais sobre o uso da água da Bacia do Paraíba do Sul, as prefeituras ainda tinham dúvidas sobre as obras de adequação. O governo paulista se comprometeu a elevar a vazão do Rio Jaguari e o governo do Rio aceitou fazer obras para receber volume menor de água a partir de setembro.

Para a ex-presidente do Instituto Estadual de Ambiente (Inea) Marilene Ramos, atualmente na FGV, o acordo põe fim ao impasse, mas a solução alcançada é pontual, com obras pequenas. Segundo ela, seriam necessários investimentos de R$ 4 bilhões a R$ 5 bilhões em despoluição, educação ambiental e redução de desperdício de água ao longo dos próximos 20 anos na Bacia do Paraíba do Sul.

Marilene afirma que existe perda de 50% na captação de água no Rio. Em São Paulo, o patamar seria de 38%, enquanto o percentual aceitável seria de 30%.

— São obras de adaptação de emergência, mas o Paraíba do Sul precisa de obras de mais envergadura — afirma.

Em maio, o Comitê de Integração da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul (Ceivap) publicou manifesto em que alertava para a situação na Bacia do Paraíba do Sul e sugeria investimentos para recuperação dos rios Paraíba do Sul e Guandu. O órgão se reúne duas vezes por ano e funciona como um fórum de discussões.

Alguns prefeitos se mostraram preocupados, como Antonio Francisco Neto, de Volta Redonda. Ele lembra que há dez anos o município já investiu R$ 12 milhões para melhorar a captação da água. Segundo o secretário do Ambiente do Rio, Carlos Portinho, serão necessárias pequenas obras civis nos sistemas de captação, dragagem e reativação de poços.

As adaptações seriam feitas por serviços de água, com apoio do Inea, da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Ceivap. Para ele, as adaptações são indispensáveis para superar o “momento crítico de estiagem”.

CESP AINDA PODE SER PUNIDA

O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse na terça-feira que o acordo fechado anteontem não isentará de punição a Companhia Energética de São Paulo (Cesp), que descumpriu recomendação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para elevar a vazão do Rio Jaguari no começo do mês. Rufino destacou que a infração já está caracterizada. Mas admitiu que o acordo pode servir como atenuante:

— A empresa já está sujeita a penalidade. A situação é inédita e grave.

Em nota, a Cesp disse que só recebeu até agora notificação para prestar esclarecimentos. “A companhia vai apresentar suas razões e argumentos oportunamente, e entende que agiu no estrito cumprimento de seu contrato de concessão”.

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