Publicado por: ferdesigner | 07/05/2014

Políticos resistem a defender o meio ambiente

Medidas necessárias para preservar o planeta esbarram em interesses político-eleitorais. No Brasil, subsídios a combustíveis fósseis prejudicam o álcool

EDITORIAL

A forte estiagem no Sudeste e as cheias que isolaram o Acre são exemplos de eventos climáticos extremos, alvo de frequentes alertas dos especialistas. Embora os cientistas tenham cautela em ligar diretamente esses eventos ao aquecimento global, é pacífico que eles tendem a se tornar mais frequentes, em toda a parte, se não houver, entre outros fatores, mudança substancial na matriz energética mundial.

O último relatório do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas), da ONU, divulgado domingo, pede rápida aceleração do uso de combustíveis limpos, sob pena de tornar impossível limitar em 2ºC o aumento da temperatura média da Terra até 2100. Acima dessa marca, o planeta ficará catastroficamente sujeito a escassez de água e comida, elevação dramática dos oceanos, pobreza, doenças e outros riscos. O Painel defende a substituição de combustíveis fósseis por energia nuclear, bioenergia, reflorestamento e redução do desmatamento.

Os vilões do aquecimento global são os sistemas de produção de energia, com 47% das emissões; a indústria, 30%; transportes, 11% e construção civil, 3%. Apesar das provas cada vez mais claras da contribuição da ação do homem nas mudanças climáticas, a emissão de gases estufa continuou a crescer. Entre 1970 e 2000, 1,3% por ano. Entre 2000 e 2010, 2,2%.

A listagem dos efeitos traumáticos do aquecimento global já se torna cansativa. O que importa é os países chegarem logo a um consenso sobre como cortar as emissões de carbono. Mas há forte resistência político-eleitoral. Os EUA estão limpando sua matriz energética com o uso em larga escala do gás de xisto, menos poluente. Mas, voltados para as eleições presidenciais de 2016, os republicanos sistematicamente bloqueiam projetos de lei em benefício do meio ambiente, por medo de perder votos em áreas produtoras de carvão, por exemplo.

Algo semelhante se passa no Brasil: a presidente Dilma forçou a renovação de concessões no setor elétrico federal para forçar um corte de tarifas. Como a iniciativa coincidiu com uma seca extraordinária no Sudeste, tem sido necessário manter a todo vapor as poluentes usinas termelétricas, a carvão e óleo. Sem dar o braço a torcer, e preocupado com o pleito de outubro, o governo não comunica à população a gravidade da situação, não esboça qualquer ação educativa para reduzir o consumo. E as emissões aumentam.

Outro fator importante são os combustíveis. Preocupado com a inflação, o governo protela a redução do subsídio no preço da gasolina, um combustível fóssil. Teme tanto o efeito de um reajuste do preço do combustível na inflação quanto no humor dos eleitores. A distorção se completa com o impacto negativo deste subsídio na indústria do álcool, combustível menos poluente e do qual o Brasil foi um pioneiro mundial reconhecido. O estrago não é pequeno, do ponto de vista ambiental. Sem considerar os outros.

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