Publicado por: ferdesigner | 10/04/2014

Belo Monte recebe aval do Ibama para desmatar área de reservatório

Por André Borges | De Brasília

O consórcio Norte Energia obteve autorização do Ibama para iniciar o desmatamento das áreas que vão abrigar o reservatório da hidrelétrica de Belo Monte, em construção em Altamira (PA), no rio Xingu. A autorização de “supressão vegetal”, assinada pelo presidente do Ibama, Volney Zanardi Júnior, permite ao consórcio fazer o desmatamento de uma área total de 9.112 hectares, equivalente a 91 km quadrados.

Desses 9.112 hectares, 3.824 estão localizados em áreas de preservação permanente (APP). Para compensar a retirada da vegetação nessas áreas protegidas, o consórcio será obrigado a recuperar a vegetação em uma área do mesmo tamanho na região que sofre influência direta do empreendimento. As exigências incluem ainda o beneficiamento no próprio local da madeira extraída. Pelas regras ambientais, não é mais permitido o enchimento do lago de hidrelétricas sem que a vegetação do local seja completamente retirada.

A Norte Energia quer iniciar o enchimento de seu reservatório até o fim deste ano. O acionamento da primeira turbina de Belo Monte, segundo o consórcio, está mantido para fevereiro do ano que vem. A autorização de desmatamento dada pelo Ibama não permite, porém, que o consórcio inicie o enchimento do lago assim que concluir a retirada da vegetação. Para isso, é necessário que o consórcio comprove que cumpriu todas as ações compensatórias da licença de instalação das obras.

A área total do reservatório que será formado por Belo Monte é de 503 quilômetros quadrados, dos quais 228 km correspondem ao próprio leito natural do rio Xingu, segundo a Norte Energia.

Apesar de as novas autorizações liberarem o desmatamento nas áreas do reservatório, a retirada de vegetação já avança a passos largos na região, por conta da construção da usina e de seus canteiros de obras. A destinação de milhares de toneladas de madeira extraídas de Belo Monte é criticada pelo Instituto Socioambiental (ISA), com base em pareceres técnicos elaborados por agentes do Ibama que monitoram a obra.

Desde o fim de 2012, afirma a organização, analistas ambientais têm constatado problemas quanto à forma de estocagem e monitoramento das toras, além de erros na contagem e classificação do material. Em um relatório de vistoria técnica realizado no ano passado, afirma o ISA, analistas chegaram a afirmar que o canteiro de obras tinha se transformado em um “sumidouro de madeira”. O Ministério Público Federal (MPF) no Pará conduz um processo interno de investigação sobre o caso.

Um cadastro social feito pela Norte Energia aponta que cerca de 7 mil famílias que vivem nas áreas de igarapés do rio Xingu terão de ser realocadas por conta do enchimento do reservatório. Muitas dessas famílias vivem em palafitas, barracos de madeira suspensos nas margens do rio. As estimativas apontam que mais de 20 mil pessoas terão de mudar de endereço até o fim deste ano.

Com 11.233 megawatts (MW) de potência, Belo Monte terá uma geração média de 4.571 MW por ano, quando estiver operando a plena carga, a partir de 2019. Durante cerca de quatro a cinco meses, a maior parte de suas turbinas não poderá funcionar, por conta do período seco do Xingu.

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