Publicado por: ferdesigner | 10/03/2014

Mudanças previstas na matriz energética global

O Estado de S.Paulo

Entre 2011 e 2035, a matriz energética global mudará muito, com aumento da participação de fontes renováveis de energia e redução de fontes não renováveis, como petróleo, gás, carvão e urânio, segundo o relatório World Energy Outlook 2013, da Agência Internacional de Energia (AIE), um organismo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Enquanto buscam antes de tudo a “modicidade tarifária” – objetivo quase impossível, em face do custo fiscal da política de subsídios aos consumidores, e não aos produtores, que onera as contas públicas -, as autoridades brasileiras enfrentam um duplo risco, pois o País não está explorando com mais eficiência as reservas de petróleo nem aumentando mais celeremente a participação de fontes renováveis na matriz energética nacional.

O mundo, em 2025, conforme as projeções da AIE, consumirá quase 15% menos de petróleo e 12% menos de carvão, mas o peso do gás aumentará 11% e o da energia nuclear, 25%. Já as fontes renováveis (bioenergia, energia hídrica e outras) passarão de 13,21% da matriz energética para 17,59%, crescimento muito elevado, superior a 33%.

No Brasil, com projeções menos distantes (até 2022), cairá o peso de petróleo e derivados (quase 10%) e de carvão (10,1%), mas crescerá expressivamente a participação de gás (40%) e de urânio (15%). O aumento da participação de derivados de cana-de-açúcar e outras energias renováveis mal compensará a diminuição do peso da energia hídrica na matriz (-11,4%) e da lenha e carvão vegetal (-24,3%).

Há questões relevantes de política energética, que o governo Dilma Rousseff precisaria considerar.

Entre essas questões, a de que o Brasil precisa acelerar a extração de petróleo, obtido em maior abundância em águas rasas, e não no pré-sal, pois a commodity continuará ocupando o primeiro lugar entre as fontes de energia locais.

Segundo, notou o especialista José Goldenberg em artigo no Estado, ontem, o País foi negligente com a necessidade de construir reservatórios com capacidade de armazenar energia (sob a forma de água), e agora depende do regime de chuvas. Ou seja, depende de geração térmica. E o País já poderia obter bem mais energia de fontes como cana-de-açúcar e eólica, em que os investimentos foram feitos. Mas não há linhas de transmissão para a energia eólica.

O risco de racionamento revela equívocos da política energética.

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