Publicado por: ferdesigner | 11/02/2014

Estudo destaca os benefícios climáticos das árvores velhas e grandes

Vanessa Barbosa – Exame.com

 

Uma nova pesquisa publicada na revista Nature manda para escanteio uma suposição comum no meio científico de que as árvores se tornam improdutivas à medida que envelhecem. Pelo contrário. Quando o assunto é clima, quanto mais velho e maior o exemplar, melhor para o planeta.

Ao contrário dos humanos, as árvores não abrandam sua taxa de crescimento com o passar do tempo, diz o estudo. Em vez disso, seu crescimento continua acelerando, mesmo em idade avançada. Este aumento contínuo, de acordo com a pesquisa, também significa que árvores de grande porte e mais velhas são expert na absorção de dióxico de carbono (CO2) da atmosfera.

Por tabela, ao absorver ou “sequestrar” o gás efeito estufa, a árvore anciã reduz a concentração de CO2 na atmosfera. Esse processo ajuda a contrabalançar asemissões provocadas pelas atividades humanas, responsáveis pelo aquecimento do planeta.

“Em termos humanos, é como se o nosso crescimento continuasse acelerando após a adolescência, em vez de diminuir a velocidade”, exemplifica o principal autor do estudo Nate Stephenson. “Por essa medida, os seres humanos poderiam pesar meia tonelada na meia-idade, e mais de uma tonelada na aposentadoria”, acrescenta.

METODOLOGIA
A equipe internacional de pesquisadores compilou medidas de crescimento de 673.046 árvores pertencentes a 403 espécies de regiões tropicais, subtropicais e temperadas, em seis continentes.

Os resultados mostraram que, para a maioria das espécies de árvores, houve aumento da taxa de crescimento de forma proporcional ao tamanho da árvore – em alguns casos, grandes árvores parecem estar adicionando a massa equivalente de carbono de toda uma árvore menor a cada ano.

No entanto, os pesquisadores têm o cuidado de observar que a taxa de absorção rápida de árvores individuais não se traduz, necessariamente, em um aumento líquido dearmazenamento de carbono para uma floresta inteira. “Árvores antigas, afinal, podem morrer e perder carbono para a atmosfera ao se decompor”, pondera Adrian Das, um co-autor do estudo.

“Mas nossos resultados sugerem que, enquanto elas estão vivas, desempenham um papel desproporcionalmente importante dentro da dinâmica de carbono de uma floresta. É como se os jogadores estrelas no seu time favorito fossem um bando de jovens de 90 anos”, completa.

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