Publicado por: ferdesigner | 04/02/2014

Agronegócio está na mira dos fabricantes de drones

Equipamento vendido a R$ 50 mil pode ser usado no combate a pragas em lavoura e controle de crimes ambientais

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<br /> Vant (veículo aéreo não tripulado) Tiriba, da empresa AGX<br /> Foto: Divulgação

Vant (veículo aéreo não tripulado) Tiriba, da empresa AGX Divulgação

BRASÍLIA – O primeiro alvo dos pequenos veículos aéreos não tripulados (conhecidos como drone ou vant) no Brasil é o caminho da roça. As empresas que fabricam esses veículos querem vendê-los para grandes agricultores que utilizam aviões no combate de pragas na lavoura, por exemplo. Os aviõezinhos têm tecnologia para mapear áreas onde a lavoura não vingou ou jogar agrotóxicos apenas em trechos atingidos por pragas.

Nas grandes cidades, os empresários negociam com os estados, principalmente com as polícias, para facilitar e baratear o trabalho de vigilância e resgate. Um helicóptero custa cerca de US$ 30 milhões e a hora do voo sai por R$ 3,5 mil. Já o vant poderá ser comprado por cerca de R$ 50 mil com um custo de R$ 100 por hora de voo.

Um veículo não tripulado poderia fazer buscas de desaparecidos — que geralmente são suspensas à noite — durante toda a madrugada. Pessoas perdidas na mata, por exemplo, seriam localizadas e poderiam receber um aparelho celular ou até um kit de primeiros socorros. Especialistas afirmam que outra atividade que poderia ser beneficiada é o controle de desmatamento, além da repressão a crimes ambientais.

Empresas pedem pistas exclusivas em SP e MG

Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde) pediu autorização ao governo para o uso de pistas exclusivas de vants por três empresas privadas que precisam fazer os últimos testes para vender os veículos. O setor pressiona a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para que a regulamentação do uso comercial de vants saia neste semestre com o argumento de que precisam fechar negócios ou vão quebrar.

— Se não começarmos a vender para recuperar investimentos, vamos fechar as portas — disse uma fonte do setor.

O pedido feito foi para a liberação de duas pistas em São Paulo e uma em Minas Gerais. Solicitações para áreas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Sul serão enviados nesta semana. De olho no potencial de mercado, as empresas já fazem toda a prospecção de futuros negócios para a atuação civil pública e privada.

O presidente da Flight Technologies, Nei Brasil, diz que há uma demanda gigantesca no Brasil. Ele conta que já há no mercado vários tipos de equipamentos menores que operam na ilegalidade. O executivo relata que outro dia viu um pequeno vant em voo sobre a Avenida Paulista. Reconheceu o equipamento que faz fotos aéreas. Só que nem aeromodelos podem voar fora dos locais autorizados pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ou seja, o dono do aviãozinho da Paulista poderia ser denunciado por crime de insegurança do espaço aéreo.

— Imagina se ele chega a um heliponto? — questiona. — Essa proliferação de equipamentos pressiona ainda mais a Anac para concluir a regulamentação.

Procurada pelo GLOBO, a agência diz que a proposta ainda tem de passar por audiência pública. A maior preocupação é ter certeza que as operações serão seguras, que não haverá risco para pessoas e propriedades em solo e para as outras aeronaves.

Já o uso de vants nos moldes do robozinho de entrega de encomendas em estudo pela Amazon é para um futuro mais distante. O coordenador do comitê de vants da Abimde, Antônio Castro, explicou que seria muito difícil um vant vencer todas as barreiras que existem numa cidade grande. O nível de inteligência artificial necessário para desviar de uma árvore, de fios de alta-tensão ou mesmo de prédios teria de ser muito alto.

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