Publicado por: ferdesigner | 03/01/2014

Quais as consequências do consumo excessivo de carne para o mundo?

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Foram analisados dados de 102 tipos de alimentos durante o período de 1971 até 2009
Foto: egonwegh

Um estudo recente da Proceedings of the National Academy of Sciences aponta que os países em desenvolvimento, a exemplo da China e da Índia, acrescentam cada vez mais carne animal em suas refeições, prática que implica em diversos processos e consequências nada positivas.

Só para se ter ideia, a produção de gado responde sozinha por 18% das emissões globais de gases do efeito estufa. A cada ano, o setor emite 6,5 bilhões de toneladas de CO2 equivalente, segundo dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO) e da Base de Dados de Emissão para Pesquisa Atmosférica Global.

Nossos hábitos alimentares, e especificamente a carne da nossa dieta, têm gerado mais gases do efeito estufa (CO2, metano, óxido nitroso, e outros) que o transporte ou a indústria. A produção de cada alimento que se consome, incluindo vegetais e frutas, incorre em custos ambientais dissimulados: transporte, refrigeração e combustível para o cultivo, além de emissões de metano de plantas e animais. Tudo contribui para o acúmulo de gases atmosféricos de efeito estufa.

Em 1999, Susan Subak, economista ecológica da University of East Anglia, na Inglaterra, constatou que, dependendo do método de produção, o gado emite entre 156 e 293 gramas de metano por quilograma de carne produzida. Devido ao fato de o metano ter 23 vezes mais capacidade de aprisionar calor que o CO2, essas emissões são equivalentes à liberação na atmosfera de algo entre 3,6 kg e 6,7 kg de CO2 para 1 kg de carne produzida.

Você sabia?
A maior parte do efeito estufa proveniente da produção de carne bovina vem da perda de árvores e da cobertura de gramas e outras plantas perenes que absorvem o CO2 em terras onde culturas de alimentação são semeadas e colhidas. Em segundo lugar está o metano liberado pelos dejetos animais e pelos próprios animais conforme digerem a comida.

A criação de animais também exige uma grande quantidade de alimento por unidade de peso corporal. Em 2003, Lucas Reijnders, da University of Amsterdam, e Sam Soret, da Loma Linda University, estimaram que a produção de 1 kg de proteína de carne exige mais de 10 kg de proteína vegetal, com todas as emissões de gases do efeito estufa que a produção de grãos acarreta. Além disso, fazendas de criação de animais produzem resíduos que dão origem a gases do efeito estufa.

Possíveis soluções

Melhorar o manejo de resíduos e os métodos de criação certamente reduzirá as “pegadas de carbono” da produção de carne. Sistemas de captura de metano podem permitir que esterco do gado seja utilizado na produção de energia elétrica, mas esses processos ainda são caros para serem comercialmente viáveis.

As pessoas também podem reduzir os efeitos da produção de alimentos no clima do planeta. Afinal, até certo ponto nossa dieta é uma questão de escolha. Ao optarmos por melhores alternativas, podemos fazer diferença. Consumir alimentos produzidos na região, por exemplo, reduz a necessidade de transporte, embora alimentos transportados de fazendas próximas, por caminhões, em pequenas quantidades, possam surpreender por economizarem pouco em emissões de gases do efeito estufa. Além disso, nos Estados Unidos, como nos demais países desenvolvidos, as pessoas poderiam comer menos carne, especialmente bovina.

Ao longo de um período de 50 anos, de acordo com o estudo, o nível trófico (posição de uma espécie na cadeia alimentar) médio mundial aumentou 3%. Embora não aparente ser muito significativo, o número se traduz em um aumento exponencial de desvio de recursos para sustentar os animais que vão para a nossa mesa. Se é uma questão de escolha, podemos pensar melhor nos alimentos que consumimos ou que deixamos de consumir – ao menos na frequência de tal consumo.

 

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