Publicado por: ferdesigner | 29/10/2013

Poluição do ar provoca câncer, diz Organização Mundial da Saúde

Mais de 223 mil pessoas morreram de câncer de pulmão em 2010

CLÁUDIO MOTTA E RENATO GRANDELLE (EMAIL·FACEBOOK·TWITTER)

<br /><br /><br /> Cena comum: névoa de poluentes cobre Pequim<br /><br /><br /> Foto: Gilles Sabrie/The New York Times

Cena comum: névoa de poluentes cobre Pequim Gilles Sabrie/The New York Times

A exposição ao ar poluído foi incluída entre as principais causas do câncer de pulmão, pior até do que o cigarro. A nova classificação veio de um estudo divulgado ontem pela Agência Internacional de Pesquisas sobre o Câncer (Iarc), vinculada à Organização Mundial de Saúde (OMS). O órgão já havia lançado relatórios sobre como alguns componentes da poluição atmosférica poderiam ser agentes cancerígenos. Mas esta é a primeira vez que o ar exterior é inteiramente considerado um potencial causador de câncer.

Em 2010, 223 mil pessoas morreram por câncer de pulmão causado pela poluição atmosférica e por um conjunto de poluentes, como poeira e fumaça, conhecido como material particulado. A maior parte dos casos se concentra em países recentemente industrializados, como a China e a Índia.

— A poluição do ar é uma mistura complexa que abrange gases e material particulado. Um de seus principais riscos é que estas micropartículas cheguem ao pulmão — explica Kurt Straif, chefe da seção de monografias da Iarc. — As fontes de poluição estão em todos os lugares, dos meios de transporte à produção agrícola.

Queima de combustíveis fósseis

Para Roberto de Almeida Gil, oncologista do Instituto Nacional de Câncer (Inca), os tomadores de decisão devem repensar seus modelos de desenvolvimento urbano.

— Respirar provoca câncer. E é muito difícil prevenir a inalação destes poluentes — lamenta. — Como não podemos viver em redomas, é fundamental melhorar a qualidade do ar das cidades. Precisamos controlar com rigor as emissões de poluentes, restringindo a queima de combustíveis fósseis e observando o impacto ambiental da produção industrial.

Straif admite que não há soluções a curto prazo em nenhuma região do planeta. No início da semana, a Agência Europeia do Meio Ambiente divulgou um estudo mostrando que cerca de 90% dos moradores das áreas urbanas da União Europeia estão expostos a níveis de poluentes considerados nocivos à saúde. Na Ásia, a discussão é ainda mais incipiente. Os países deste continente registraram, em 2010, a maioria dos casos de câncer de pulmão relacionados à poluição do ar.

Chefe da Oncologia Clínica do Inca, Carlos José de Andrade acredita que os governos asiáticos ainda não criaram projetos que vinculem o debate ambiental à saúde da população.

Meio ambiente, um problema político

Em julho, uma pesquisa publicada na revista “Proceedings of the National Academy of Sciences” mostrou que 500 milhões de chineses que vivem no Norte do país, a região mais poluída, deverão perder, conjuntamente, 2,5 bilhões de anos de expectativa de vida por causa da poluição do ar.

— A conscientização das questões ambientais é um problema político — ressalta Andrade. — É preciso assumir uma responsabilidade para minimizar a deterioração do ambiente. Um país onde não há uma política clara para reduzir a emissão de gases poluentes provavelmente terá mais registros de câncer de pulmão.

Segundo o patologista Paulo Saldiva, líder de um dos grupos de trabalho do Iarc, “ter câncer de pulmão provocado pelo cigarro é, na verdade, uma exceção”. No Brasil, as doenças ligadas à poluição atmosférica vêm da falta de mobilidade urbana.

— Metade da poluição das grandes metrópoles brasileiras vem de 10% da frota a diesel — destaca o patologista Paulo Saldiva, líder de um dos grupos de trabalho do Iarc. — A maior fonte de emissão de poluentes no país, então, é o tráfego. A curto prazo, não há remédio. Precisamos esperar a renovação de veículos e a troca de seu combustível para gás natural ou hidrogênio. Também há evidências, embora menos sólidas, de que a exposição a materiais particulados levaria ao câncer de bexiga.

A criação de corredores de tráfego, ligando um meio de transporte público a outro, diminuiria a emissão de poluentes para a atmosfera. Este método já é adotado com sucesso nos países desenvolvidos. Além disso, o poder público poderia promover campanhas que estimulassem a população a se deslocar a pé ou em ciclovias.

— Um motorista preso no engarrafamento está mais exposto a poluentes do que um pedestre — compara Saldiva. — A inalação de micropartículas pode provocar câncer de pulmão. Além disso, quem opta pelo carro deixa de praticar uma atividade física. E o sedentarismo leva à obesidade e à ocorrência de doenças cardiovasculares.

Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/saude/poluicao-do-ar-provoca-cancer-diz-organizacao-mundial-da-saude-10399507#ixzz2j7Ab97OI
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