Publicado por: ferdesigner | 16/10/2013

Complexo portuário ameaça rochas identificadas por Darwin em visita ao Brasil

DENISE LUNA

DO RIO

Aos 23 anos, quando visitou o Brasil em 1832, o naturalista britânico Charles Darwin encontrou no litoral do Rio de Janeiro as “beachrocks”, rochas incomuns com mais de 4.000 anos.

Passados 181 anos, Jaconé, a faixa de areia entre as praias de Ponta Negra e Saquarema que abriga a formação geológica, está prestes a mudar.

A área turística e pesqueira no município de Maricá deve virar um complexo portuário com estaleiro para reparo de navios e um armazém para gás e petróleo montado em cavernas subterrâneas.

Um maciço de rochas será escavado para a construção dos quebra-mares, e os buracos deixados pelas pedras serão usados de reservatório.

Para viabilizar o projeto da DTA Engenharia, a Câmara Municipal de Maricá precisará retirar do local o status de área de proteção ambiental.

Com a Petrobras, a DTA planeja fazer ali uma base para a produção de gás natural do pré-sal, a Rota 3, que abastecerá o Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro). O projeto, de US$ 20 bilhões, usará o gás de matéria-prima para produtos petroquímicos, que seriam, então, exportados pelo porto.

Segundo o presidente da Câmara Municipal de Maricá, Fabiano Filho, a votação deve ocorrer em breve. “Será bom para o município”, diz.

Os locais se tornariam área de interesse econômico, como ocorreu para viabilizar o porto do Açu, de Eike Batista, em São João da Barra.

O secretário de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio de Janeiro, Júlio Bueno, apoia o projeto. “Preocupo-me com as pedras de Darwin, mas me preocupo muito mais com emprego e renda das pessoas”, afirma.

Beachrocks

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Divulgação

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Beachrocks na praia perto de Maricá, região dos Lagos do Rio de Janeiro

RISCO AMBIENTAL

As “beachrocks” ocorrem ao longo de 1,1 km de praia, perto do terreno que serviu por anos como campo de golfe ao jornalista Roberto Marinho e foi comprado pela DTA.

Com as mudanças, porém, elas podem estar com os dias contados, diz a professora da UFRJ e geóloga Kátia Mansur.

Para Mansur, coautora de um trabalho que será usado no pedido à Unesco para tornar a área patrimônio da humanidade, as “pedras de praia” têm importância global e valor científico, cultural, didático e ecológico.

“É uma perda. A gente não aceita que não tenha lugar melhor para esse porto.”

As pedras de Darwin permitiram, por exemplo, determinar o nível da maré há 4.000 anos e identificar as formações chamadas de Sambaquis da Beirada, usadas por homens pré-históricos.

O presidente da DTA, João Acácio de Oliveira, disse desconhecer a ocorrência de “beachrocks” no local. Ele contratou a empresa Arcadis-Logos para fazer o licenciamento ambiental e apontar o impacto na região.

Segundo Oliveira, o estaleiro recebeu grau de prioridade de investimento do Fundo da Marinha Mercante, no valor de R$ 1,05 bilhão.

Procurada, a Petrobras não comentou o assunto.

Editoria de Arte/Folhapress

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