Publicado por: ferdesigner | 03/09/2013

PPP vai construir maior sistema de abastecimento de água dos últimos 20 anos

Sistema Produtor São Lourenço vai atender oeste e sudoeste da Grande São Paulo, atingindo cerca de 1,5 milhão de pessoas; até 2035, o consumo de água na região metropolitana deve subir 40%

Mônica Reolom – O Estado de São Paulo

Para suprir a demanda de água na Grande São Paulo, o governo do Estado assinou nesta quarta-feira, 21 de agosto, contrato de Parceria Público-Privada para construir o maior sistema de abastecimento desde o Alto Tietê, entregue em 1993.

“Esse sistema vai dar mais segurança à região, já prevendo o crescimento da metrópole”, afirma o governador Geraldo Alckmin. Segundo ele, o complexo dará segurança no abastecimento para os próximos 15 anos.

O Sistema Produtor São Lourenço, complexo que envolve construção de áreas para captação, armazenamento e tratamento de água, vai atender o oeste e o sudoeste da Grande São Paulo, atingindo cerca de 1,5 milhão de pessoas nas cidades de Barueri, Carapicuíba, Cotia, Itapevi, Jandira, Santana de Parnaíba e Vargem Grande Paulista. Essa região é a que mais cresce em número de habitantes – enquanto a média de aumento populacional do Estado é de 0,87% ao ano, cidades como Cotia e Santana do Parnaíba têm média acima de 2%.

Funcionamento. A água terá de percorrer tubulações ao longo de 83 km, já que a captação ocorrerá na represa Cachoeira do França, em Ibiúna. Também será preciso construir um sistema de bombeamento que supere o desnível da serra de Paranapiacaba, de 300 metros – equivalente à altura da Torre Eiffel. Em alguns trechos da tubulação, que passará pela serra e por baixo da Rodovia Raposo Tavares, o diâmetro chegará a 2,1 metros, o que corresponde à metade de um túnel de metrô.

A capacidade de produção de água tratada vai aumentar em 4,7 mil litros por segundo – ampliação de 7% em relação ao nível atual da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo, de 73 mil.

As construtoras Andrade Gutierrez e Camargo Correa terão de arcar com o investimento inicial de R$ 2,21 bilhões, em troca da operação do sistema por 25 anos.

Contraponto. O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado, Edson Giriboni, ressalta que é preciso pensar em outras opções a longo prazo. “Temos que começar a pensar em alternativas para que a curva de disponibilidade hídrica para as próximas décadas acompanhe a curva de crescimento demográfico”. Até 2035, o consumo de água na Grande São Paulo deve subir cerca de 40%, o que significa que seria necessário um aumento de 30 mil litros/segundo até lá.

“Este sistema, quando concluído, vai cobrir apenas em parte a necessidade de água na Região Metropolitana, pois a vazão a ser conduzida será insuficiente. Atualmente, a oferta e a demanda de água praticamente se equivalem”, afirma José Eduardo Cavalcanti, conselheiro do Instituto de Engenharia. Uma das alternativas apontadas por Ricardo Isaac, professor do Departamento de Saneamento e Ambiente da Unicamp, é apostar em medidas educativas. “Iniciativas tais como programas de uso racional e combate ao desperdício fazem parte da solução, uma vez que a Região Metropolitana está inserida num contexto geográfico – e político – em que há escassez hídrica.”

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