Publicado por: ferdesigner | 01/08/2013

Opção às hidrelétricas é “sujar” matriz brasileira

No próximo leilão de oferta de eletricidade para daqui a cinco anos, as usinas térmicas convencionais, inclusive a carvão, terão participação maior

As usinas hidrelétricas representam cerca de 70% da capacidade de geração de eletricidade no país. Quando os reservatórios estão cheios, chegam a responder por 80% da energia elétrica gerada. Com a conclusão de grandes hidrelétricas na Amazônia (Santo Antônio e Jirau, em Rondônia; Teles Pires, em Mato Grosso; e Belo Monte, no Pará), a participação da energia hidráulica deve aumentar, em termos de capacidade instalada, mas não na efetiva geração de eletricidade. E a razão é que essas usinas estão sendo construídas sem reservatórios de acumulação de água, por restrições ambientais (seria preciso inundar grandes áreas, devido à topografia amazônica), e não funcionarão à plena potência durante vários meses.

Por isso, a contribuição das usinas térmicas convencionais (incluindo as que queimam biomassa) deve aumentar pouco a pouco. Atualmente a participação dessas usinas na geração é da ordem de 22%, em média, quase no limite de sua capacidade instalada (27% do total). As usinas eólicas também vêm aumentando a participação, mas, até o fim da década, não deverão ultrapassar, ainda, a fatia de 5%.

O próximo leilão de energia futura só deverá contar com a oferta de uma grande hidrelétrica (Sinop). Isso significa que a maior parte da geração prevista para daqui a cinco anos terá de ser preenchida por usinas térmicas convencionais, inclusive a carvão. Mesmo com todo o esforço tecnológico para tornar esse tipo de usina mais limpa, a matriz energética tende a ficar então mais “suja”.

Usinas térmicas, convencionais ou nucleares, são necessárias porque, sem reservatórios de acumulação nas hidrelétricas, o Brasil passa a ser mais dependente do regime anual de chuvas. Nos anos com menos precipitação pluviométrica, como aconteceu em 2012, as térmicas são mais acionadas. Tais centrais elétricas podem também ser construídas mais próximas aos centros de consumo, assegurando, assim, maior confiabilidade ao fornecimento de eletricidade.

Portanto, usinas térmicas não se constituem em um “mal” em si. Porém, é possível manter a matriz energética do país mais equilibrada, construindo-se hidrelétricas, com reservatórios de acumulação onde for ambientalmente possível. O que não é compreensível é a rejeição às usinas hidráulicas na Amazônia. O Rio Tapajós e seus afluentes, por exemplo, têm elevado potencial, e os projetos elaborados para essa bacia foram inovadores. As barragens ficarão em locais isolados, longe de aglomerações urbanas, e terão todos os acessos terrestres fechados quando as usinas estiverem prontas. Por isso, são comparadas a plataformas de petróleo em alto-mar, pois os futuros operadores das hidrelétricas trabalharão como se estivessem “embarcados”, sem ter vizinhos por perto, nem mesmo aldeias indígenas, que estarão distantes desse trecho do rio, hoje não navegável. A oposição a elas não é racional.

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