Publicado por: ferdesigner | 17/07/2013

O fator verde que é capaz de mudar os hábitos de consumo

Pesquisa internacional mostra que 84% dos consumidores deixariam de comprar produtos que não respeitam práticas éticas e sustentáveis

<br /><br /><br /><br /> Sustentável: empresa de produtos naturais em Petrópolis<br /><br /><br /><br /> Foto: Pedro Kirilos

Sustentável: empresa de produtos naturais em Petrópolis Pedro Kirilos

RIO – A consciência ambiental crescente é capaz de mudar hábitos de consumo, aponta pesquisa realizada pela organização sem fins lucrativos União para o BioComércio Ético (UEBT), que ouviu seis mil pessoas em seis países, inclusive o Brasil. Empresas que acabam sendo associadas a algum problema socioambiental, considerando toda a cadeia produtiva, correm sério risco de serem rejeitadas: 84% dos entrevistados deixariam de comprar produtos de uma marca se ela não respeitasse práticas éticas.

O resultado faz parte de um trabalho chamado “Barômetro da Biodiversidade 2013”, que procura mapear o comportamento de consumidores em relação a temas como sustentabilidade, biodiversidade e uso de ingredientes naturais em produtos. O detalhamento dos dados nacionais foi apresentado na semana passada, em São Paulo, pelos especialistas da UEBT, que repete anualmente a pesquisa desde 2009, num universo de 31 mil pessoas em 11 países.

Na última enquete, que além de no Brasil foi realizada na França, Alemanha, Reino Unido, EUA e China, 87% dos entrevistados gostariam de ter acesso a mais informações sobre as práticas relacionadas à biodiversidade das companhias. E 90% ouviram falar de espécies ameaçadas de extinção, comércio justo e preservação ambiental.

— O consumidor está interessado em questões socioambientais. Agora, avaliaremos como os empresários pretendem responder — afirma Cristiane de Moraes, representante da UEBT no Brasil. — Vamos fazer um novo trabalho, que deve levar mais um ano e meio, para identificar quais as expectativas das empresas que criam seus produtos a partir da biodiversidade.

A pesquisa mostra que as empresas de produtos de beleza estão dando atenção especial à biodiversidade em suas comunicações. Entre as 20 maiores do setor, 80% mencionaram biodiversidade em seus relatórios mais recentes. E todas elas citaram o desenvolvimento sustentável.

Os pesquisadores pediram, ainda, que as pessoas citassem três marcas que dão real importância à biodiversidade. A Natura foi mencionada por 49% dos entrevistados brasileiros. O resultado foi considerado expressivo, sobretudo quando comparado com as companhias mais bem avaliadas nos outros países pesquisados.

Neste ranking mundial, o segundo lugar — um empate entre Yves Rocher, da França, e The BodyShop, do Reino Unido — foi citado em 23% das respostas. Em comum, todas as três companhias são do ramo de cosméticos.

— O desempenho da Natura chama a atenção. Bater 49% é um índice muito alto. Observando o ranking brasileiro, podemos concluir que há muitas oportunidades para as empresas trabalharem este conceito — comenta Cristiane. — Os resultados indicam que as marcas do setor de cosméticos estão conseguindo conquistar com eficácia a confiança de seus clientes.

As outras empresas mais citadas pelos brasileiros foram Avon (14%), Boticário e Nestlé (ambas com 9%) , e Ypê (8%).

Apesar de apontar a maior consciência ambiental, pouco mais da metade dos brasileiros conhece de fato o significado de “biodiversidade”. As respostas indicam que 96% ouviram falar nesta palavra de 14 letras, mas apenas 53% deles deram uma definição considerada correta.

Foram consideradas acertadas as respostas do tipo “todas as variedades de formas de vida que podemos encontrar na Terra”. Também foram aceitas frases mais amplas, como: “Diversas formas de vida, vegetal ou animal. O Brasil tem uma rica biodiversidade, você pode encontrar várias espécies de plantas e animais na Amazônia”.

Diante destes dados, especialistas da UEBT dizem que o principal desafio é melhorar o nível de entendimento acerca deste tema. Entretanto, o percentual de acertos no país esteve acima da média mundial (39%).

— Não basta ter ouvido falar em biodiversidade. O mais importante é saber quem realmente entende o que esta palavra significa — diz Cristiane.

A China foi o país com o melhor desempenho na pesquisa. Entre os entrevistados, 64% definiram corretamente biodiversidade. Europeus, geralmente associados à maior consciência ambiental, tiveram dificuldades de definir corretamente a palavra biodiversidade. O percentual de respostas corretas foi de 20% no Reino Unido e de 24% na Alemanha.

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