Publicado por: ferdesigner | 22/02/2013

Extratos de plantas do Brasil inibem até dez tipos de câncer, mostra USP

Espécies de plantas nativas dos gêneros Croton e Astraea, muito comuns no Brasil, demonstraram atividade antioxidante e antiproliferativa de linhagens de células cancerígenas. O novo estudo da USP (Universidade de São Paulo) sugere que as plantas têm potencial para utilização no desenvolvimento de novos medicamentos.

“Elas pertencem ao mesmo gênero do sangue-de-adave ou sangue-de-dragão, espécies conhecidas por seu látex de cor avermelhada”, afirma Daniela Carvalho Ogasawara, do Instituto de Biociências da Universidade. “Praticamente todos os ecossistemas brasileiros possuem representantes do gênero.”

As plantas pesquisadas pela bióloga possuem extratos com grande capacidade de inibição de tumores, como câncer de pulmão, mama e leucemia. Os extratos das folhas e dos caules de todas as espécies, em especial os da Croton triqueter, apresentaram capacidade de sequestro de radicais livres. A maior eficiência foi verificada nas folhas desta espécie, afirma Daniela.

“Para as atividades antiproliferativas, 11 dos 12 extratos [das plantas] demonstraram atividade contra as dez linhagens de células cancerígenas analisadas e nenhum foi tóxico à linhagem de controle, composta por células normais”, destaca a bióloga.

O estudo, que buscou ampliar o conhecimento químico e avaliar o potencial de espécies herbáceas nativas da flora brasileira, foi feito com seis plantas: Astraea comosa, Astraea lobata, Croton lundianus, Croton glandulosus, Croton campestris e Croton triqueter.

Além disso, a bióloga examinou dez linhagens de tumor: câncer de mama, melanoma, glioma, cólon, ovário resistente a múltiplos fármacos, pulmão, próstata, ovário, leucemia e rim.

Segundo a pesquisadora, diversas espécies dos gêneros Croton e Astraea possuem atividade comprovada pelos cientistas.

“O látex vermelho de Croton lechleri apresenta atividades antibacteriana e inibidora da proliferação de células da leucemia, e os extratos da Croton schideanus têm atividade vasorelaxante e antihipertensiva”, explica Daniela.

“Na Croton cajucara, comprovaram-se efeitos hipolipidêmico e hipoglicêmico, além de antiestrogênico e antitumoral.”

As folhas e os caules das plantas foram submetidos a análises de detecção e identificação de componentes de óleos voláteis e flavonoides. Como o trabalho se concentrou nos extratos brutos, as substâncias responsáveis pelas atividades não foram isoladas. (Fonte: Agência USP)

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