POR PAINEL

Novo chico O governo do presidente interino, Michel Temer, vai lançar em breve um programa de obras para a revitalização do Rio São Francisco. Serão anunciadas medidas para os próximos 10 anos que incluirão despoluição das águas, conservação do solo, reflorestamento das margens e saneamento da bacia do rio. A equipe de Temer batizou o programa de “Novo Chico” e, mesmo com o ajuste fiscal em curso, estima gastar, de saída, R$ 6,7 bilhões até 2026.

Custa caro O gasto será incluído no Orçamento de 2017. Só a recuperação de áreas degradadas deve consumir R$ 3 bilhões até 2026.

Veneno Como o Planalto não tentou dissuadir Marcelo Castro (PMDB) de concorrer à Câmara, congressistas versados em maldade disseminavam a ideia de que houve dedo de emissários do governo na candidatura do peemedebista.

Criatividade Conforme a tese, Castro teria sido plantado com o aval de Eduardo Cunha para esvaziar Rodrigo Maia (DEM) — tirando deste votos petistas. Em um segundo turno, Maia é visto como o adversário mais perigoso para Rogério Rosso (PSD), nome de Cunha e do Planalto.

Divã Com tanta confusão, um tucano reparou: “Como o candidato do partido do presidente da República tem apoio do Lula, do PT, e foi contra o impeachment?”.

Não tenho dinheiro Reginaldo Lopes (PT) quer que a Mídia Ninja, conhecida pelas transmissões dos protestos de 2013, faça sua campanha à Prefeitura de BH. Diz que as conversas caminham.

Calma, cocada Pablo Capilé, um dos líderes do grupo, diz: “Ouvi isso, mas nenhuma proposta chegou até mim”. Em seu site, a Mídia Ninja informa que não possui “alinhamento ideológico com nenhum partido”.

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Lado B do Chaves De um líder do centrão: “Waldir Maranhão é o Chapolin Colorado, tem sempre uma astúcia”.

Se cuida O setor privado alimenta alta expectativa em relação ao governo após o impeachment. Mas empresários avisam: depois de agosto, a tolerância será perto de zero.

Ligeirinho O Planalto não pode reclamar. Ministros do presidente interino venderam a ideia de que, por ser forjado no Congresso, Temer faria tudo andar rápido por lá.

Anéis e os dedos Não há garantias de que o limite de gastos se torne lei em 2016. E a reforma da Previdência já ficou para o ano que vem.

Dá uma força? Em conversas reservadas, Henrique Meirelles (Fazenda) tem dito que a aprovação do teto para as despesas públicas este ano é fulcral para o BC iniciar a redução dos juros.

Morreu de velho Cristovam Buarque (PPS-DF) propõe uma comissão de parlamentares para examinar a segurança da usina nuclear de Angra 3. “Será que houve relaxamento na segurança por causa das propinas?”.

Girl power A senadora Marta Suplicy (PMDB) anunciará em breve sua chapa à Prefeitura de SP. Marlene Machado, do PTB, deve ser sua vice. Os dois partidos reunirão suas bancadas nesta semana para bater o martelo.

Tudo em casa Marlene é mulher de Campos Machado, presidente do PTB paulista. A negociação foi costurada por José Yunes, presidente do PMDB de São Paulo.

Punhalada A parceria frustra os planos do PRB de Celso Russomanno, que contava com o apoio do PTB.

Probleminha Líder nas pesquisas à Prefeitura de São Bernardo do Campo, Alex Manente (PPS) tem caso pendente no STF. Responde por suposto crime eleitoral na eleição de 2012. Sua defesa nega envolvimento e diz que o inquérito não irá evoluir.


TIROTEIO

Isso é apenas um desejo do PT. Já que a Casa está fragmentada, quero me lançar candidato para unir a esquerda.

DO DEPUTADO ORLANDO SILVA (PC do B-SP), sobre a movimentação do PT para formar bloco de apoio a Marcelo Castro (PMDB) junto com PC do B e PDT.


CONTRAPONTO

Ser ou não ser (golpista) — eis a questão

Minutos após Marcelo Castro oficializar sua candidatura pelo PMDB à presidência da Câmara, o deputado Rogério Rosso (PSD-DF) caminhava apressadamente pelos corredores da Casa.
Marcus Pestana (PSDB-MG) cruzou com o candidato e comentou sobre o apoio do PT ao PMDB.

— Eles estão ressuscitando a aliança com o PT? — provocou o tucano.

Antes mesmo que Rosso respondesse, Pestana arrematou a ironia:

— Então só falta dizerem: ‘vamos voltar ao impeachment e apoiar a tese de golpe’!

Publicado por: ferdesigner | 26/07/2016

Relatório da PF revela que Samarco sabia de falhas em represa

Troca de mensagens entre ex-presidente e diretores, obtida com autorização judicial, fala de trincas e questões de segurança

Leonardo Augusto,
Especial para O Estado

Responsabilidade por Mariana também é do governo, diz ONU

O distrito de Bento Rodrigues, na cidade de Mariana, em Minas Gerais, foi devastado pela lama

BELO HORIZONTE – Uma troca de mensagens pelo sistema interno de comunicação da Samarco entre o presidente da empresa à época do rompimento da Barragem de Fundão, Ricardo Vescovi, e diretores mostra que a cúpula da mineradora não só foi informada de problemas com a represa como articulava estratégia para lidar com a precariedade da estrutura. O Estado teve acesso à transcrição, feita com autorização judicial e presente no relatório final da Polícia Federal sobre a tragédia de 5 de novembro, que deixou 18 mortos e 1 desaparecido.

Nas conversas, Vescovi força a produção de informações para esconder problemas com Fundão. Ao saber de trincas na estrutura, em agosto de 2014 – mais de um ano antes do desastre -, o presidente diz: “O quê? Ai, ai, ai”. As conversas foram obtidas pelos delegados em busca e apreensão nas plantas da Samarco nas cidades de Mariana (MG) e Anchieta (ES).

Em depoimento à PF, indagado se durante sua gestão teria chegado ao seu conhecimento algum relato de problema na barragem, Vescovi respondeu que “não”. “Estas questões técnicas eram tratadas na área técnica, dentro da diretoria de operações e nas gerências dessas diretorias”, disse. “Nunca chegou ao conhecimento do declarante qualquer notícia sobre problemas na estabilidade”, diz o documento da Polícia Federal.

Barragem de rejeitos se rompe em Minas Gerais

As mensagens incluem vários anos de atividades da Samarco – a barragem é de 2008. Uma conversa de 2011 já trata da confiabilidade de Fundão. Em mensagem enviada pelo presidente da Samarco à diretora de Geotecnia da mineradora, Daviely Rodrigues Silva, em conversa sobre o FMEA (sigla em inglês para Failure Mode and Effect Analysis, a análise da confiabilidade de uma estrutura, no caso Fundão), Vescovi indaga se “mudou a probabilidade (de acontecer algum problema) ou apenas a severidade (a rigidez a estrutura)?”. “Acho esse ponto o mais relevante de todos, pois é o meio de mostrarmos que as coisas não pioraram, apenas estamos sendo mais críticos na avaliação de severidade.” A mensagem é de 27 de julho de 2011, às 23h58, e é uma resposta a um posicionamento técnico sobre Fundão enviado por Daviely. O FMEA é feito periodicamente como forma de acompanhar condições físicas de barragens.

Em seguida, Vescovi diz que “vale a pena abordarmos no texto algo que corrobore com uma baixa probabilidade de um evento, como o FMEA por exemplo, além da própria opinião do ITBR (comitê interno formado por empregados da Samarco e também especialistas externos contratados pela empresa para avaliar as estruturas da mineradora, com reuniões a cada quatro meses)”. O texto a que o presidente se refere é o relatório Health and Safety and Operations Performance (Saúde e Segurança e Performance das Operações) das estruturas da empresa.

Vescovi foi informado ainda sobre trincas na barragem, durante troca de mensagens com o então diretor de Operações da Samarco, Kleber Terra. Em conversa capturada pela PF, datada de 29 de agosto de 2014, iniciada às 15h56, Terra diz: “Em Fundão apareceram umas trincas no maciço onde desviamos o eixo”. Vescovi responde: “O quê??? Ai, ai, ai… Fica esperto”.

Terra afirma que tudo está “controlado”. Vescovi pergunta sobre as características do problema. “Que tipo de trinca? Só no maciço, ou conecta com o interior da barragem?”

“Só no maciço. O ITRB na última reunião já havia falado que teremos de fazer uma drenagem intermediária no maciço. Com o alargamento da boca do vale, o tapete drenante anterior não pega todo o maciço no topo”, respondeu Terra. O maciço é a parte da frente da represa, a face. O tapete drenante fica embaixo de represas.

O Estado procurou Vescovi. Em e-mail enviado pela Samarco à reportagem, o advogado dele, Paulo Freitas Ribeiro, afirmou por nota que “o relatório de investigação da Polícia Federal constitui documento provisório, emitido a partir de entendimento unilateral”. “Ricardo Vescovi jamais recebeu qualquer aviso ou alerta sobre eventual comprometimento da segurança da Barragem do Fundão, e tampouco tentou esconder informações de qualquer sorte. Pelo contrário, as informações que recebeu sobre incidentes, naturais da operação, indicavam que a barragem se encontrava rigorosamente dentro dos padrões de segurança, conclusão alçada por diversos especialistas.”

Lama muda a cor do mar na foz do Rio Doce

“Firme?”. O relatório da PF mostra ainda mensagens entre Terra e Germano Silva Lopes, gerente geral de Projetos da Samarco. Às 11h36 de 4 de setembro de 2014, uma semana, portanto, depois da conversa com Vescovi, ele pergunta para Germano: “E Fundão… Firme?” O diretor faz observações técnicas sobre a represa e afirma que “os instrumentos e monitoramento mostram pouquíssima variação e nos dá garantia que as trincas não evoluíram e o talude está estável”.

Terra retorna: “Ótimo… Vc continua resp. tec (você continua responsável técnico) fica esperto…” Já Germano ressalta que fará “uma inspeção mensal na rotina”.

Próximo passo. Vescovi, Daviely, Terra e Germano, além de outros dois integrantes do alto escalão da Samarco e um gerente da Vale, controladora da empresa juntamente com a BHP Billiton, um engenheiro da VogBR, prestadora de consultoria para a empresa, foram indiciados pela Polícia Federal por crime ambiental. No caso da Samarco, todos foram afastados em janeiro. O relatório da PF será enviado ao Ministério Público.

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A organização promove a coleta seletiva de resíduos orgânicos em dez grandes restaurantes de São Paulo
Fotos: Instituto Guandu

Um terço dos alimentos produzidos no mundo é desperdiçado, segundo dados da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). Além dessa quantidade alarmante que acaba indo fora, também chama a atenção o volume de lixo produzido, sobretudo em restaurantes, locais que servem centenas de pessoas diariamente.

Ao pensar nisso, a jornalista e especialista em sustentabilidade Fernanda Danelon criou o Instituto Guandu, uma instituição que busca transformar o lixo orgânico de grandes restaurantes em adubo de hortas urbanas.

A organização promove a coleta seletiva de resíduos orgânicos em dez grandes restaurantes de São Paulo. Ao utilizar métodos de compostagem acelerada, o Instituto Guandu consegue lidar com até 10 toneladas diárias de massa orgânica, transformando lixo em um poderoso fertilizante, usado em hortas orgânicas.

Benefícios da compostagem
Ainda pouco usada em áreas urbanas, a compostagem reduz a quantidade de resíduos destinada aos lixões e aterros, além da contaminação de lençóis freáticos.

“Nós fazemos a coleta seletiva diária dos resíduos orgânicos, produzimos abudo com um método de biodegradação otimizada, uma espécie de compostagem acelerada. Devolvemos o que era lixo em forma de hortas urbanas orgânicas. Além disso, promovemos palestras aos funcionários dos restaurantes, explicando a importância desse processo”, explicou Fernanda ao jornal Zero Hora.

Assista a apresentação da Fernanda no TED Laçador:

Publicado por: ferdesigner | 26/07/2016

Chile produz tanta energia solar, que agora é de graça

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Os preços à vista da energia solar chegaram a zero em algumas regiões do Chile durante 113 dias até abril
Foto: alfre32/Flickr/(cc)

A indústria solar do Chile se expandiu tão rapidamente que está gerando eletricidade gratuitamente. Os preços à vista chegaram a zero em algumas regiões do país durante 113 dias até abril, número que está a caminho de superar o total do ano passado, de 192 dias, segundo a operadora da rede central do país. Embora isto possa ser bom para os consumidores, é uma má notícia para as usinas de energia, em dificuldades para gerar receita, e para as empresas que buscam financiar novos parques.

A pior situação acontece na região norte do país, no deserto do Atacama. A crescente demanda por eletricidade do Chile, impulsionada pela expansão da produção das minas e pelo crescimento econômico, ajudou a estimular o desenvolvimento de 29 parques solares. Outros 15 estão nos planos da rede central. Agora, o Chile enfrenta a queda da demanda por energia devido à desaceleração da produção de cobre em meio a um excedente global, o que provoca um excesso de energia gerada em uma região que não possui linhas de transmissão para distribuir a eletricidade a outras partes.

“Os investidores estão perdendo dinheiro”, disse à Bloomberg Rafael Mateo, CEO da unidade de energia da Acciona, que está investindo US$ 343 milhões (mais de R$ 1,2 bilhão) em um projeto de 247 megawatts na região e que será um dos maiores da América Latina. “O crescimento foi desordenado. Não se pode ter tantas empresas no mesmo lugar”.

O governo está trabalhando para corrigir este problema, com planos de construir uma linha de transmissão de 3 mil quilômetros para ligar as duas redes até 2017

Um dos principais problemas é que o Chile possui duas redes de energia principais, a central e a do norte, sem conexão entre si. Existem também áreas dentro das redes que não possuem uma capacidade de transmissão adequada.

Com isso, uma região pode ter muita energia, o que derruba os preços, porque o excedente não pode ser entregue a outras partes do país, segundo Carlos Barría, ex-chefe da divisão de energia renovável do governo e professor da Pontifícia Universidade Católica do Chile, em Santiago.

Infraestrutura inadequada
O governo está trabalhando para corrigir este problema, com planos de construir uma linha de transmissão de 3 mil quilômetros para ligar as duas redes até 2017. Além disso, está desenvolvendo uma linha de 753 quilômetros para resolver o congestionamento nas partes norte da rede central, a região na qual os excedentes de energia estão levando os preços a zero.

“O Chile tem pelo menos sete ou oito pontos nas linhas de transmissão que estão em colapso e bloqueados e tem o enorme desafio de driblar os pontos de estrangulamento”, disse o ministro de Energia, Máximo Pacheco, em entrevista, em Santiago. “Quando você embarca em um caminho de crescimento e desenvolvimento como o que temos tido, obviamente surgem problemas”

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Árvores, animais nativos, rio, mar e muita garrafa PET… Mas calma! Não se trata de lixo! Na verdade, elas são a matéria-prima usada para construir as casas da Plastic Bottle Village,ecovila localizada na Ilha de Colon, paraíso natural do Panamá.

Por lá, todas as edificações são construídas a partir da reutilização de garrafas plásticas que iriam para o lixo. E pensa que as casas ficam mais vulneráveis por causa disso? Engana-se. De acordo com o site da Plastic Bottle Village, as casas feitas com PETs são bem resistentes, suportando até terremotos, e oferecem ótimo conforto térmico.

O conjunto habitacional, que ainda está em fase de construção, possui 120 lotes disponíveis para casas, que, além de serem feitas com garrafas de plástico, possuem sistema de fossa séptica, cisterna conectada à calha para captação de água da chuva e painéis solares. Aliás, esta é outra vantagem desse tipo de moradia: ela recebe mais claridade externa e, portanto, os gastos com eletricidade são bem menores.

A Plastic Bottle Village ainda terá minimercado, pavilhão para atividades culturais e esportivas, como yoga, e parque com trilhas. Tudo para incentivar que as pessoas de fato vivam em comunidade e não apenas morem dentro de casas ecológicas. Já pensou viver num lugar assim?

(Via Razões Para Acreditar, com informações do The Greenest Post)

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Paisagem no condado de Hedmark, Noruega
Foto: iStockphoto/Getty Images

A Noruega se tornou o primeiro país do mundo a se comprometer com o fim desmatamento em todo o território nacional, após decisão do Parlamento na primeira semana de junho. Para cumprir com a meta, o governo proibiu o corte de árvores e baniu a compra e a produção de qualquer matéria-prima que contribua para a destruição de florestas no mundo, informou o site da revista Veja.

Na sessão decisiva, o Parlamento também se responsabilizou a encontrar uma maneira de fornecer alguns produtos essenciais, como carne, soja, madeira e óleo de palma, sem causar impactos no ecossistema. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), esses quatros produtos são responsáveis por quase metade do desmatamento das florestas tropicais do planeta.

A Noruega é a primeira nação a botar em prática a promessa feita junto à Alemanha e à Grã-Bretanha de promover esforços significativos contra cadeias de produção que gerem corte de árvores, assinada na Cúpula do Clima da ONU, em 2014.

Não é a primeira vez que o país escandinavo toma uma atitude pioneira em favor da proteção do meio-ambiente. Segundo a rede CNN, em 2008, a Noruega deu ao Brasil 1 bilhão de dólares (mais de 3 bilhões de reais) para ajudar a combater o desmatamento na Amazônia e a situação foi reduzida em 75% em sete anos. Além disso, o país está no processo de restringir as vendas de carros movidos à gasolina até 2025.

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Publicado por: ferdesigner | 25/07/2016

Os benefícios do fogão ecológico

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Fogão ecológico: menor impacto
Foto: Jorge Cardoso/MMA

O Ministério do Meio Ambiente (MMA) construiu um fogão agroecológico em seu estande na segunda Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (2ª Cnater), realizada até sexta-feira, 3 de junho, em Brasília, sob o lema “Ater, Agroecologia e Alimentos Saudáveis”. O objetivo é divulgar ações de convivência com o semiárido e combate à semiaridez. A ação tem chamado bastante a atenção do público da Conferência.

Para realizar essa façanha, o Departamento de Desenvolvimento Rural e de Combate à Desertificação do MMA, responsável pela organização do estande, trouxe um mestre fogãozeiro, Edival Silva, de Ouricuri (PE). O objetivo é disseminar o uso dos fogões a lenha mais eficientes e menos danosos à saúde humana e ambiental, considerando que boa parte da população, nas zonas rurais do Nordeste, ainda utiliza o tradicional fogão a lenha, o que contribui para o desmatamento da Caatinga.

Elisabete Oliveira, 40 anos, participante da Conferência, e Glauber Souriase, 23 anos, ficaram encantados com o fogão. Vindos do estado do Maranhão, eles aprenderam como o modelo apresentado economiza lenha e contribui para melhorar a saúde de quem lida na cozinha. “Vi como é simples trazer um benefício real para as pessoas no campo e para o meio ambiente”, destacou Elisabete.

Os fogões agroecológicos, projetados para o consumo mínimo de lenha, permitem, por exemplo, a substituição de lenha grossa por gravetos

A construção de fogões agroecológicos no semiárido nordestino, executada em parceria com as ONGs Caatinga e Fundação Araripe, integram as iniciativas do MMA para a difusão de tecnologias socioambientais sustentáveis e de eficiência energética, que tragam benefícios ambientais e mais qualidade de vida às pessoas no campo.

Os fogões agroecológicos, projetados para o consumo mínimo de lenha, permitem, por exemplo, a substituição de lenha grossa por gravetos, que podem ser catados nas florestas e/ou colhidos das podas, sem necessidade de derrubada com o corte raso, produzindo menos fumaça.

Sustentabilidade
Segundo o diretor do Departamento de Desenvolvimento Rural e Combate à Desertificação do MMA, Francisco Campello, uma mulher chega a dedicar em torno de 18 horas semanais na busca de lenha para o preparo dos alimentos, expostas, em algumas situações, à violência e riscos de morte por acidentes. “Os principais objetivos dos projetos são tornar o uso da lenha sustentável, além de evitar problemas de saúde, melhorar a qualidade de vida das famílias e conservar a paisagem”, explicou.

O projeto da ONG Caatinga, por exemplo, desenvolvido em parceria com o MMA, já construiu mais de 550 fogões agroecológicos, beneficiando famílias do semiárido brasileiro no Piauí e em Pernambuco.

Eventos do MMA
O Ministério do Meio Ambiente também participará das atividades autogestionadas da 2ª Cnater, nesta quinta-feira (2), às 16h30. As palestras do MMA abordarão os temas Manejo e Conservação do Solo, e Uso Múltiplo da Vegetação Nativa dos Biomas Caatinga e Cerrado.

Além do fogão e das palestras, o MMA está expondo, no estande, produtos sustentáveis da sociobiodiversidade da Caatinga e do Cerrado, que serão, inclusive, sorteados entre os participantes da Conferência; e distribuindo inúmeras publicações sobre convivência sustentável com o semiárido nordestino e o uso de tecnologias sociais.

A 2ª Cnater é um espaço de debate que visa reafirmar e fortalecer a importância da participação social no processo de formulação das políticas públicas voltadas ao meio rural brasileiro. A conferência é realizada pelo Ministério de Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA), sob a coordenação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável (Condraf). O Ministério do Meio Ambiente faz parte da comissão organizadora nacional do evento, que reúne, na capital federal, mais de mil pessoas de todo o país.

(Por Marta Moraes, do MMA)

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Bem no meio do deserto há um lugar onde o calor é extremo. Sessenta e três graus ou até mais no verão. E foi exatamente por causa da temperatura que foi construída em Abu Dhabi uma das maiores usinas de energia solar do mundo. É uma fazenda solar com dois quilômetros e meio quadrados de área e uma imensa plantação de espelhos de prata, capazes de produzir luz e água quente para 20 mil moradias.

Parece pouco num país de 9 milhões de habitantes, mas é só o início de um projeto estratégico. Os Emirados estão investindo em fontes energéticas renováveis. Não vão substituir o petróleo, que eles têm de sobra por mais 100 anos pelo menos. O que pretendem é diversificar e poluir menos. Uma aposta no futuro.

Para coletar melhor a luz, os espelhos parabólicos se mexem o dia todo. Acompanham o sol do nascente ao poente. Da usina sai energia limpa.

A preocupação com o planeta levou Abu Dhabi a tirar do papel a cidade sustentável de Masdar. Dez por cento do planejado estão prontos. Um traçado urbanístico ousado, que deixa os carros de fora. Lá só se anda a pé ou de bicicleta. As ruas são bem estreitas para que um prédio faça sombra no outro. É perfeito para o deserto. Os revestimentos das paredes isolam o calor e a direção dos ventos foi estudada para criar corredores de brisa. Uma torre de 45 metros de altura suga o ar quente do alto e o transforma em vento ameno embaixo.

Por enquanto, há poucos moradores, quase todos alunos do Masdar Institute, o mais importante centro de pesquisas do país, voltado para o estudo de energias alternativas, sustentabilidade e meio ambiente, e grande importador de talentos.

A cereja do bolo dessa cidadezinha fantástica é o carro totalmente automático, sem piloto, sem nada, usado para ir até o estacionamento. Ele vai por baixo da terra, anda sozinho. É simplesmente genial.

(Por Isabela Assumpção, do Globo Repórter)

Nurit Bensusan, coordenadora adjunta do Programa de Política e Direito do ISA e especialista em Biodiversidade

Lei sancionada pelo governador do Amazonas, José Melo, pode causar destruição em cadeia ao permitir a introdução de espécies de peixes não nativos e o barramento dos igarapés. Leia o artigo de Nurit Bensusan, especialista em biodiversidade
Curimatã, pirarucu, filhote, aruanã, gurijuba, pacu, todos com os dias contados. Matrichã, tambaqui, piramutaba, piranha, pirapatinga, todos ameaçados. Pirananbu, apapá, peixe-cachorro, curimbatá, jatuarana, jaú, todos condenados.São mais de três mil espécies de peixes, a maior biodiversidade aquática do planeta. Toda ela ameaçada pela inconsequência de uma lei estadual, a 79 de 2016, sancionada no começo desta semana, por uma canetada do governador do Amazonas, José Melo (Pros). A preservação dessa diversidade de peixes e de mamíferos aquáticos – como botos, peixes-boi e golfinhos – deve-se ao fato da bacia amazônica manter-se livre de populações de peixes exóticos, ou seja provenientes de outros lugares do planeta. Esse fenômeno, a introdução de espécies exóticas, acontece na maioria dos ambientes aquáticos e é responsável pela destruição da diversidade local.A lei em questão faz justamente isso: libera a introdução de espécies não-nativas nos rios e igarapés da maior floresta tropical do mundo no estado do Amazonas. Um exemplo ilustrativo pode ser a introdução da tilápia. As tilápias são peixes originários da África que tendem a dominar os ambientes onde são introduzidos, pois competem com muita eficiência pelos recursos alimentares, por espaço e por locais de desova, levando ao desaparecimento outras espécies de peixes. Imagine as tilápias nadando faceiras nos rios amazônicos…Seria possível enumerar um enorme conjunto de consequências desastrosas para a Amazônia, derivadas dessa inconsequência, mas bastam duas:1) O comprometimento da biodiversidade aquática levará a uma degradação em cadeia. O desaparecimento das espécies de peixes causará a extinção de muitas outras espécies, tanto de fauna como de flora, o que transformará o ambiente e levará a destruição do ecossistema. Ou seja, se esse dispositivo legal permanecer, podemos começar a ensaiar a marcha fúnebre para nossa maior floresta.2) Não há volta para a introdução de espécies na Amazônia, ou seja, não dá para experimentar e depois decidir que deu errado. Uma vez introduzidas, o dano será irreversível, por isso a lei é inconsequente.Fica, como sempre, a questão no ar: será que os responsáveis pela aquicultura e pela pesca no estado do Amazonas apoiaram tal dispositivo legal, pois ignoram as consequências drásticas e irreversíveis para a bacia? Se assim é, não deveriam ser responsáveis por algo que não compreendem. Ou será que apoiaram essa lei por causa da pressão de grupos econômicos interessados no cultivo de espécies exóticas na Amazônia? Se for assim, tampouco deveriam estar onde estão.Por fim, vale lembrar que a malfadada lei – como se fosse pouco ter o potencial de causar tamanha destruição – permite ainda o barramento de igarapés para atividades de aquicultura, também com consequências nefastas para todo o ecossistema amazônico, que depende dos ciclos naturais de cheias e vazantes dos rios para sua manutenção.Há, nesse momento, manifestações e abaixo-assinados circulando na internet contra essa lei (participe). Incrível é que precisaremos de milhares de assinaturas para tentar salvar nossa floresta, enquanto que bastou uma, a do governador do Amazonas, para colocar em marcha um processo irreversível de destruição da Amazônia.

Imagens:

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O princípio é o mesmo de outros chuveiros ecológicos: o reaproveitamento da água. Mas, com uma ligeira diferença, em vez de reaproveitar a água para outros fins, como para acionar a descarga do vaso, o chuveiro Showerloop reaproveita a água para o próprio banho.

Segundo seus criadores, graças a essa tecnologia inovadora, a pessoa pode tomar banho por quanto tempo ela quiser com 10 litros de água. O segredo está no reaproveitamento da água, que passa por várias etapas de limpeza antes de escorrer pelo ralo.

Na primeira etapa, uma tela retém os fios de cabelo. Depois, a água passa por um filtro de microfibra, uma camada de areia, outra de carvão ativado, que eliminam as partículas de sabão, e é esterilizada por uma lâmpada de luz ultravioleta, sendo bombeada novamente para o chuveiro.

Outra vantagem desse chuveiro é sua economia de energia elétrica, pois a água é esquentada no momento em que o registro do chuveiro é aberto. O kit do produto foi lançado na Europa, no mês de março deste ano, por um preço de 1.500 euros, sem incluir o custo da instalação.

(Via Razões Para Acreditar, com informações da Superinteressante)

GALERIA DE FOTOS (clique na imagem para ampliar)

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